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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um jantar no Mediterrâneo

Fonte: Facebook do Mediterrâneo

Sábado passado fomos jantar ao restaurante Mediterrâneo do Porto, na zona das Antas. Uma sala agradável, moderna, airosa, confortável. A organizadora do "evento", a nossa amiga Ana, marcou mesa para as 21h15 pelo que quando chegamos o restaurante estava no auge: casa cheia, conversas espalhadas pelo ar, sorrisos e olhares alegres, pessoas felizes.
Na mesa, de decoração simples mas de uma elegância rústica irrepreensível, uns grissini com sal, ervas e pimenta acompanhavam-se por pãezinhos e taças de azeite com vinagre balsâmico. Enquanto aguardávamos fomos dando conta dos grissini que, por sinal, e apesar de terem um bom sabor, estavam moles.
A carta não era extensa nem pequena demais mas a maioria dos pratos, assim numa primeira leitura, não apresentavam nada de novo. Decidi-me por uma lasanha vegetariana (tenho sempre curiosidade em experimentar este prato onde quer que vá, como comparação) e o Vel pediu um risotto de cogumelos (penso que também ele gosta de testar os restaurantes com os risottos!). Para beber, os nossos companheiros pediram sangria de vinho branco, que estava fresca, leve e agradável. O risotto foi o primeiro a chegar, com uma cor linda e um aspecto super apetitoso. Não resisti e tirei uma garfada. Para meu desconsolo estava insosso. O Vel pediu para lhe trazerem parmesão, na esperança de remediar o estrago, mas nunca ficou um bom risotto. Servidos os restantes, a lasanha chegou em ultimo lugar, fumegante e com uma nota do nosso empregado "está fresquinha, acabada de fazer". Na primeira garfada os sentidos relaxaram perante os sabores. Muito bom. Na segunda garfada confirmaram a sua satisfação. Na terceira garfada ficaram alerta pois a temperatura tinha descido para fresca (afinal, o empregado não me tinha mentido!!!!). Abri a lasanha ao meio, retirei uma garfada do centro e estava de facto gelada. Fresquinha, fresquinha, acabada de sair do congelador, pensei eu. Após uma reclamação, pediram para escolher outro prato (provavelmente para não me trazerem outra lasanha congelada) e, muito desapontada e desconsolada, optei pela única pizza que me parecia diferente das restantes: salmão fumado, mozzarella e rúcula. Chegou à mesa, enorme e quentinha, com massa fina e estaladiça. Um sabor interessante nas duas primeiras garfadas mas que, mesmo com sumo de limão, logo se tornou enjoativo dado que a base estava coberta por salmão e o mozzarella não tem sabor suficiente para o cortar. Entretanto, a meio da degustação do seu risotto, o Vel teve uma (des)agradável surpresa que o deixou com vontade de esganar o chef de forma lenta e dolorosa: trincou um dente de alho, bem fresco, que resultou num hálito anti-vampiro que perdurou durante os dois dias seguintes!
A esta altura, estávamos de facto decepcionados. Para ter pelo menos um apontamento positivo lá me decidi a provar uma sobremesa: tarte de lima, sempre com o pensamento no mote "o que pode correr mal numa simples tarte de lima? Nada!". Em comparação com as restantes sobremesas, a minha fatia era, digamos, raquítica, mas tudo bem, seria compensada pela explosão de sabor. De facto o recheio da tarte não era mau, mas também não era nada de especial e a base de bolacha estava "mole" (ou teria sido feita com bolachas moles????). 
No final, "la dolorosa" nem foi assim tão surpreendente: não chegava a 20€ por cabeça, mas ainda assim um preço elevado para o serviço prestado. Ah, e a tarte raquítica foi oferecida, talvez para compensar os vários desaires. 
Uma pena! Um restaurante que de aspecto tinha tudo para ser excelente e que numa primeira visita afugentou os clientes...

Fonte: Facebook do Mediterrâneo

domingo, 26 de fevereiro de 2012

La Ricotta

Imagem: La Ricotta

Faz quase um ano que fomos ao La Ricotta. Foi o meu presente de aniversário. E porque deixar uma crítica um ano depois, quando tanto pode ter mudado? Pois bem, talvez tenha mudado, talvez não. E como nem só de receitas vive este blogue, aqui fica a nossa opinião.
O La Ricota está muito bem situado e tem um ar bem acolhedor quando passamos por ele. Mesas próximo da janela, semi encobertas por uma garrafeira que parece "meter respeito". Ao chegarmos, fomos conduzidos pela escadaria que leva ao andar superior, numa sala de elevado pé direito mas que, mesmo assim, mantinha o tom acolhedor. 

Imagem: aeiou-visão

Para entradas sugeriram uma degustação de azeites da casa esporão. Pois muito bem, venham eles. E junto com os azeites veio uma explicação detalhada das diferenças de cada um, num monólogo decorado pela empregada que, caso fosse interrompida, descarrilaria mensagem para todo o sempre. Foi caso para dizer que ficamos logo com os azeites (desculpem a piada fácil).
Como prato principal, e porque em casa comemos sempre muitas massas, ambos escolhemos pizza. Podemos dizer que foram tão memoráveis que, passado poucos meses, eu nem me lembrava do que tinha sido o jantar. Teve que ser o VelSatiS a recordar-me. Pelo preço de cada pizza, ficariamos muitissimo mais bem servidos no Casa D'Oro que, apesar de manter a mesma ementa desde que veio ao mundo, cada tiro cada melro, saem sempre deliciosas!
Durante o jantar, a emprega esteve constantemente assegurar-se de que os nossos copos de vinho não ficavam sequiosos, pelo que fomos interrompidos muito mais do que gostaríamos, tendo-se quebrado a conversa e o "clima" com o constante corropio (teve alturas que me apeteceu gritar-lhe "não tente, ok, só vamos consumir esta garrafa de vinho!"). Não obstante de ficarmos distraídos pelas tatuagens (horríveis, e nós até gostamos de tatuagens, ok?) que lhe enfeitavam os dedos.
Depois de uma pizza assim-assim pensei em salvar o jantar com a minha sobremesa de eleição em Ristorantes: a pannacotta. Pois bem, não tivesse o VelSatiS tomado uma atitude e ainda hoje, quase um ano depois, eu estaria à espera da bendita sobremesa que, tenho que admitir, era boa (valha-nos ao menos isso!). Quem não admitiu que se esqueceu da minha sobremesa foi mesmo o staff do restaurante.
No fim, e como é da praxe (lol), veio "la dolorosa". E que dor!!! Um jantar para duas pessoas com uma entrada de pão e azeite, uma garrafa de vinho e outra de água, 2 pizzas, uma sobremesa e um café ficou pela módica quantia de 60€!!!!!!!!!!!!! Mal saímos para a rua, estava eu ainda atónita e a ver notas de 20€ a esvoaçar para longe dos meus olhinhos, quando ambos verbalizamos a ideia que nos trespassava a mente: aqui nunca mais voltamos! E como a verbalização é uma tomada de consciência...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um aniversário, um restaurante e uma crítica

Esta semana tenho estado em baixo de forma devido à gripe infinita da morte que se apoderou de mim. Na 2ª feira perdi o paladar e o olfacto e só os voltei a recuperar a tempo do nosso jantar de comemoração. 
Decidimo-nos pelo O Comercial, o restaurante do Palácio da Bolsa. Após uma série de marcações e desmarcações (devido ao meu estado quase comatoso!!!) ontem lá fomos celebrar aquilo que, na verdade, celebramos todos os dias :)
O restaurante é lindo, temos a sensação de entrar num clausto, e está muito bem decorado: sóbrio, elegante e moderno, combinando na perfeição com o ambiente austero imposto pelas colunas de pedra e os tecto abobadados.



Entradas
Menina - Folhado de queijo de cabra com brunesa de morcela e reineta caramelizada
Menino - Crocante de alheira
Couvert

O couvert era composto por duas tacinhas de azeite, uma com vinagre balsâmico e outra com alho, apresentadas numa longa e esguia travessa. O pão era branco e simples, em fatias ainda mornas. Como salientou o Menino, o pão é uma das coisas mais importantes da refeição pois é a primeira impressão que fica com os clientes. Esperavamos um pouco mais.
Ambas as entradas foram apresentadas de forma simples mas elegante em pratos rectangulares com salada de folhas selvagens a acompanhar. O folhado era verdadeiramente delicioso, combinando muito bem o sabor do queijo e da morcela com o doce da maçã. Pena serem dois folhadinhos muito pequeninos. O crocante de alheira já era uma porção bem razoável, para entrada, de recheio de alheira enrolado em massa filo com ovo de codorniz a cavalo, tudo também muito saboroso e suave, com uma consistência perfeita entre os crocantes e a suavidade dos enchidos.

Prato Principal
Menina - Magret de pato com risoto de ameixa
Menino - Posta mirandesa com o tradicional molho mirandês

Tivemos alguma vontade de rir quando nos serviram os pratos principais. A posta trazia um ramo de tomilho que, pela dimensão do conjunto, quase classificava como uma árvore ao alto. O pato trazia "uma erva", também na vertical e, caso eu inclinasse ligeiramente a cabeça, ela enfiar-se-ia no meu nariz. Ultrapassada esta dificuldade (!!!!!), era hora de degustar: o pato, mal passado come il faut, estava um pouco mais duro do que seria desejável, mas o seu sabor era excelente e a gordura estava bem crocante. O risoto de ameixa foi uma surpresa com tanto de bom como de mau: bom porque realmente era uma novidade e era bastante saboroso, mas ao fim de umas quantas garfadas tornou-se doce demais e aborrecido, pois o sabor da ameixa encobria os restantes ingredientes. Já a posta mirandesa foi um verdadeiro sucesso: a carne era tenra, suculenta e muito saborosa, acompanhada de batatas e grelos, tudo muito bem confeccionado e no ponto, reforçando a ideia de que a comida tradicional portuguesa sabe ser moderna e elegante. Ambos os pratos estavam bem serviços em termos de porções.

Sobremesa
Menina - O melhor fondant de chocolate do mundo
Menino - café

Todos sabem que sou gulosa. E confirmo. Sou gulosa e gosto de sobremesas, mas adoro todas as etapas da refeição e não dispensaria uma em detrimento da outra.
O fondant foi uma verdadeira surpresa. O aspecto parecia ser um bolinho coberto com excesso de farinha e manteiga (da forma?) e quando pressionava com a colher parecia uma bola de borracha. Ao abrir com o garfo, o exterior revelou uma espessa mousse de chocolate negro que escorreu lentamente até beijar o prato. Na boca, a cobertura exterior era crocante contrastando lindamente com a suavidade da mousse.
Estas sensações vinham acompanhadas de uma redução de frutos silvestres e de um shot de vodka e gelado de menta. 

Vinho
Lello tinto, Douro - agradável, com boa cor, bem rubi, e um complemento perfeito para todas as etapas da refeição, que exigiam um bom vinho maduro tinto.

O jantar teve um serviço simpático, formal e não muito intrusivo embora seja inevitável ter a conversa interrompida quando o empregado volta à mesa para servir mais vinho - adorava que deixassem a garrafa por nossa conta! A sala, por ser grande, com um pé-direito elevado e colunas de pedra, estava fria, levando a que a comida arrefecesse rapidamente.
No final, la dolorosa ficou-se num valor muito próximo dos 75€. É pesadote, mas tendo em conta que noutros restaurantes já pagamos 60€ e a refeição não chegava sequer aos calcanhares desta, até valeu a pena!

Nota: as fotografias foram retiradas de seeyou2nite.com e oportocool.wordpress.com