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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Gaspacho à Alentejana | Alentejo-style gazpacho

Photo with iPhone 6 @ http://instagram.com/ondina_maria/

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Numa semana com mais dias cinzentos do que o resto do ano, deu-me para isto: um dia cheguei a casa e a única coisa que me apetecia verdadeiramente comer era um Gaspacho à Alentejana. Talvez por me fazer lembrar os dias de calor tórrido que apanhamos em Monsaraz, em férias na viragem de Junho para Julho. Talvez um gaspacho assim me fizesse voltar à piscina com vistas para a linda cidade altaneira, rodeada de campos dourados ponteados de oliveiras.... "Oh tempo volta p'ra trás..."
Moral de história: não, não fui teleportada para o meu adorado Alentejo, o tempo não voltou para trás (como, aliás, nunca volta!) mas o gaspacho soube-me pela vida! E tenho a certeza que vocês também vão gostar, até porque o sol já voltou a brilhar!

Gaspacho à Alentejana

500g tomate-cereja
250g pimentos tricolores
1 pepino
1/2 meloa cantaloupe
750g água fria
250g cubos de gelo
6 c.sopa azeite
3 c.sopa vinagre vinho branco
Oregãos
Sal
Pimenta moída na hora

Cortar os tomates-cereja em quartos e colocar numa taça.
Retirar as pevides aos pimentos, picar e juntar aos tomates.
Partir o pepino em quartos e retirar as sementes. Fatiar finamente cada tira (quarto) e juntar aos restantes ingredientes.
Remover as pevides da meloa, retirar a polpa com uma colher formando bolinhas e colocar na taça.
Temperar a gosto com sal, pimenta e oregãos, adicionando o azeite e o vinagre e envolvendo bem. Cobrir com a água e com os cubos de gelo, rectificar os temperos, se necessário, e servir. 

***

On the greyest week of the year all I wanted was an Alentejo-style gazpacho. Go figure my cravings! Maybe it reminded me of the lovely, peaceful and scorching hot days when we spent our holidays in Monsaraz, while June turned into July. And maybe it would make me feel like I was back in that pool facing the majestic towering city surrounded by golden olive fields...
Nop! I didn't get transported to my beloved Alentejo, I still don't master the art of turning back the time, but this gazpacho surely made my day! And I'm pretty sure it'll make your day too, especially because the sun is shining again!

Alentejo-style gazpacho

500g cherry tomatoes
250g tricolor peppers
1 cucumber
1/2 cantaloupe melon
750g cold water
250g ice cubes
6 tbsp evoo
3 tbsp white wine vinegar
Oreganos
Salt
Freshly ground pepper

Slice the tomatoes in quarters and set aside in a large serving bowl.
Remove the core and seeds from the peppers, slice them in small cubes and add to the bowl.
Slice the cucumber, lengthwise, in quarters ad remove the seeds from each part. Slice very finely and add to the bowl.
Remove the melon core and seeds and scoop small portions of the pulp into the bowl.
Season to taste with salt, pepper and oreganos as well as with the measured eve and vinegar, mixing thoroughly. Top with the water and ice, rectify the seasoning if necessary and serve.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Arroz de feijão, couve e morcela | Bean, cabbage and black sausage rice


(scroll down for English)

Este arroz é tudo de bom. É o conforto que falta nos dias frios, chuvosos e cinzentos. É o abraço apertado daqueles que amamos. É as mãos enrugadas da avó Nandinha enquando escolhia escolhia os feijões. O sorriso dos meus pais. O beijo do Vel.
Este arroz é a lembrança dos dias passados e dos que estão para vir. É o ritual terapêutico de demolhar e cozer feijão e sentir-me 25 anos mais nova (tempo para onde foste???) na cozinha da avó Nandinha. É o cheiro a cevada acabada de fazer em casa da avó Ana nas visitas de domingo. É o sorriso do babe (será sobrinho ou sobrinha?) que vai nascer em Abril.
Este arroz é tudo. Somos nós. E vocês.


Arroz de feijão, couve e morcela

1 cebola grande, picada
3 dentes de alho, picado
Azeite
1 morcela da Guarda, sem pele, fatiada
1 couve portuguesa, em juliana
8 bagas de zimbro
500g arroz vaporizado
350g feijão maravilha, demolhado e cozido em apenas água
Sal e pimenta

Num tacho largo suar a cebola com o azeite durante 5 mins. Adicionar o alho e dourar. Colocar as fatias de morcela no azeite e "fritar" de ambos os lados. Juntar a couve e saltear durante 5mins. Adicionar a água onde o feijão cozeu com água suficiente para perfazer 1,5L, o zimbro e temperar com sal e pimenta. Assim que ferver, adicionar o arroz e mexer. Após 10mins, juntar o feijão e deixar cozinhar. Rectificar os temperos antes de servir.


This rice is all that is good. It's the missing comfort in the cold, grey and rainy days. It's the warm embrace of the ones we love. It's grandma Nandinha's wrinkled hands while choosing beans. My parents smile. Vel's kiss.
This rice is the memory of the days gone by and the ones still to come. It's the therapeutic ritual of soaking and boiling beans to feel 25 years younger (time where art thou???) in grandma Nandinha's kitchen. It's the smell of fresh barley drink at grandma Ana's house on Sunday visits. It's the smile of the cute little baby (nephew or niece?) due in April.
This rice is all that. It's us. And you.


Bean, cabbage and black sausage rice

1 large onion, finely chopped
3 garlic cloves, finely chopped
Evoo
1 black sausage from Guarda, without skin and sliced
1 portuguese cabbage, Julianne cut
8 juniper berries
500g parboiled rice
350g wonder bean, soaked and boiled in water only
Salt e pepper

In a large pan, soften the onion in the evoo for 5mins. Add the garlic and mix until golden. Place the sausage slice and "fry" both sides. Add the cabbage and sautée for 5mins. Pour in the water from boiling the beans together with enough water to make 1,5L, the juniper berries and season with salt and pepper. Bring it to a boil add the rice, mixing and leave to cook for 10mins. Add the beans and finish cooking. Adjust the seasoning before serving.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Rabanadas grelhadas | Grilled French Toasts


(scroll down for English)

O Natal está mesmo, mesmo ao virar da esquina. Muito em breve estaremos juntos, sentados em volta de uma mesa repleta de iguarias. Tradições de família que se perpetuam ou novas que se vão criando. Estaremos aconchegados, com abraços e sorrisos, em casa quentinhas onde há de tudo um pouco. Pudessem todos ter sorte igual...
As festividades convidam aos exageros gastronómicos e se uns são mais regrados, outros nem por isso. Para quem procura algumas alternativas mais saudáveis sem ter que abdicar de muita coisa, aqui fica uma receita de rabanadas grelhadas. Sim, grelhadas. O sabor, esse, está todo lá!


Rabanadas grelhadas

500ml leite magro (ou de soja, amêndoa, arroz, etc.)
1/2 limão pequeno biológico (raspa)
2 paus de canela
Mel a gosto (ou geleia de agave, ou açúcar amarelo/mascavado)
2 ovos batidos
8 fatias de pão (seco) de mistura, centeio de Padronelo, etc.
Mistura de açúcar amarelo e canela para polvilhar

3 laranjas (sumo)
Vinho do Porto (mesma quantidade do sumo de laranja)
2 estrelas de anis
1 pau de canela
Açúcar amarelo ou mascavado baunilhado (ou mel, geleia de agave, etc.)

Ferver o leite com a raspa de limão, paus de canela e o mel. Reservar. Bater os ovos e partir as fatias de pão. Entretanto, aquecer uma frigideira anti-aderente apenas untada com azeite. Mergulhar o pão no leite até estar molengão. Passar pelo ovo e colocar na frigideira até dourar de ambos os lados. Polvilhar todas as fatias com a mistura de açúcar e canela à medida que vão sendo colocadas numa travessa ou numa taça.

Para quem gostar, servir as rabanadas com calda: levar a ferver o sumo das laranjas com o vinho do Porto, anis, canela e açúcar amarelo baunilhado. Regar as rabanadas com a calda ou reservar numa molheira, para que cada pessoa possa optar entre rabanadas secas ou molhadas.


Xmas is just around the corner. Soon we'll be together, gathering around a table with plenty delicacies. Family traditions that pass from generation to generation or new ones that start to rise. We will tucked in, with hugs and smiles, in a warm house where there's a bit of everything. I wish everyone could just say the same thing...
The holidays are an invitation for gluttony and if some of us are a bit more controlled, others may not be so. For those who seek a healthier alternative without giving up on much, here's a recipe for grilled French Toasts (Rabanadas, in Portuguese). Yes, grilled. But the flavor is all there. 


Grilled French Toasts

500ml skimmed milk (or soya, almond, rice, etc.)
1/2 small bio lemon (zest)
2 cinnamon stick
Honey to taste (agave syrup, or brown/moscovado sugar)
2 eggs, beaten
8 thick whole bread (at least two 2 days old) slices
Brown sugar and cinnamon mix to sprinkle

3 oranges (juice)
Port wine (same amount as orange juice)
2 aniseed stars
1 cinnamon stick
Brown or moscovado vanilla sugar (or honey, agave syrup, etc.)

Boil the milk with lemon zest, cinnamon and honey. Keep aside. Beat the eggs and slice the bread. Meanwhile, heat a anti-adherent frying pan just greased with olive oil. Dip the bread in the milk until tender. Pass each slice by the beaten eggs and grill in the pan until golden on both sides. Sprinkle all slices with the sugar and cinnamon mix and place them in a large dish or large bowl.

If you like, serve the French Toasts with a syrup: boil the orange juice with Port, aniseed, cinnamon and vanilla sugar. Drizzle the French Toasts with the syrup or keep the syrup aside in a gravy boat so each person can choose between dry or moist French Toasts.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Lulas recheadas da Mãmi

Ano novo, rubrica nova. Para além das nossas receitas, 2013 vai trazer-nos receitas de família e amigos. Sim, porque vivemos rodeados por pessoas com um talento imenso para a culinária e é prazer convidá-los a partilhar as suas especialidades através do nosso blogue. Como não poderia deixar de ser, a estreia é com uma receita da minha Mãmi, que cozinhou um dos nossos favoritos.
Lulas recheadas

4 lulas frescas grandes (cerca de 1,2 kg) com as perninhas picadas
2 dentes de alho, picados
Presunto, cortado em pedacinhos
Miolo de pão escuro
Sumo de limão
Vinho branco
Azeite
Sal e pimenta

Refogar a perninhas das lulas em alho e azeite num tacho grande. Juntar o presunto, temperar com pimenta e deixar apurar. Molhar o miolo de pão em água, escorrer bem e juntar à mistura das perninhas de lula, mexendo bem até ter uma pasta homogénea. Rechear as lulas com a mistura e fechá-las com um ou dois palitos. Colocar as lulas recheadas de volta ao tacho da mistura onde já está o segundo alho refogado em azeite, juntar vinho branco e deixar cozinhar durante cerca de 30 mins ou até as lulas estarem tenras. Entretanto, regar com sumo de limão e temperar com sal e pimenta. Servir polvilhadas com coentros secos picados e acompanhadas por arroz branco e pão (que fica divinal molhado no molho das lulas!). 
New year, new rubric. Apart from our recipes, 2013 will also bring recipes from our family and friends. Simply because we are surrounded by talented people and it's a pleasure to invite them to share their specialties in our blog. The first person invited was my Mom who gave us the honour of cooking one of our all time favorite meals.

Stuffed squid

4 large fresh squids (around 1,2 kg) with minced legs
2 garlic cloves, finelly chopped
Ham, finelly chopped
Breadcrumbs from a dark bread
Lemon juice
White wine
Olive Oil
Salt and peper

In a large saucepan, braise the squid legs in garlic and olive oil. Add the ham, season with peper cook until tender. Soften the breadcrumbs in water, drain well and add to the squid legs, mixing well to a smooth paste. Stuff the squids with this mix and close them with one or two toothpicks. Put the squid back in the large saucepan where the second garlic clove is already golden in olive oil. Pour in white wine and leave to cook for 30 mins or until the squid are tender. Meanwhile, drizzle lemon juice over the squid and season with salta and peper. Serve the squid topped with dry coriander leaves and sided with white rice and bread (lots of good bread to dip in the sauce!).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Linguine al nero di sepia com lulas salteadas

Das coisas boas e simples da vida. Ingredientes frescos e saborosos como estrela da refeição. Merecem-no. Por mérito próprio. E assim, sem grandes complicações, se faz um jantar que satisfaz e delicia até os palatos mais exigentes. Talvez fosse da fome, ou da frescura, ou até do sabor a mar, mas esta simplicidade pareceu-nos perfeita. 
Linguine al nero di sepia com lulas salteadas

500g de linguine al nero di sepia
1kg de lulas frescas, limpas, cortadas em rodelas
Azeite
Sal e piri-piri
2 dentes de alho, grandes, esmagados
80ml de vinho branco
1/2 limão (sumo)
1 c. chá de amido de milho

Num tacho de grandes dimensões, alourar os alhos com o azeite. Introduzir as lulas, deixando corar durante alguns minutos. Juntar o vinho branco, sal e piri-piri e deixar cozinhar durante cerca de 30 mins. Findo este tempo, provar uma lula. Caso ainda não estejam tenras, cozinhar mais 10 mins. Entretanto, cozer a massa em água abundante com sal. Escorrer, passar por água fria para parar a cozedura e reservar. Misturar o amido de milho com o sumo de limão e adicionar às lulas, para engrossar o molho. Depois de levantar fervura, incorporar a massa, misturando bem. Servir acompanhado de um bom vinho maduro tinto.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pescada em papelote com cevadotto à portuguesa e o nosso primeiro aniversário

Hoje estamos de parabéns. Há precisamente 1 ano atrás, este blogue deixou de ser feito apenas por mim para passar a ser partilhado com o VelSatiS. Porque, achamos nós, entre "marido" e "mulher" é que se mete a colher. Neste caso veio uma cozinha inteira, apetrechada de equipamentos, utensílios e ingredientes. Vieram as experiências, individuais ou a dois, para nós e para os outros. Um ano depois, é importante reflectirmos sobre o facto de termos um blogue. Dá o seu trabalho, é um facto, mas o saldo é largamente positivo. Muito positivo. Para além das pessoas fantásticas que temos vindo a conhecer, virtualmente falando, através dos blogues que visitamos e que nos visitam, para além do feedback da família e amigos, há algo que é inegável: se já comíamos bem, agora comemos muito melhor. Não, não há lagosta todos os dias, até porque "what you see is what we eat", mas há uma constante procura de informação para que as refeições do dia-a-dia não sejam repetitivas nem monótonas. Procurar novas formas de confeccionar os ingredientes de sempre tem sido muito salutar mas o melhor de tudo tem sido encontrar novos ingredientes, de forma a variarmos ao máximo a alimentação que fazemos. Prova disso é este surpreendente cevadotto :)
Pescada em papelote com cevadotto à portuguesa

4 filetes de pescada
1 limão em rodelas
4 folhas de salva
1 cebola picada
1 dente de alho esmagado
1/3 de cubo de caldo de legumes
1/2 chouriço corrente (Nobre) em cubinhos
1 chávena de cevada em grão bem lavados
1,5L de água a ferver
50g de queijo da ilha ralado
Sal e pimenta moídos na hora
Azeite

Num tachinho, colocar os grãos de cevada com duas chávenas de água fria e cozer a cevada até a água desaparecer. Entretanto, numa frigideira de grandes dimensões, refogar o alho, a cebola, o chouriço e o caldo num pouco de azeite. Adicionar a cevada para alourar e depois juntar 1 chávena de água quente e deixar cozinhar, mexendo de vez em quando, até a água desaparecer. Adicionar novamente 1 chávena de água e repetir o processo até a cevada estar cozinhada e com consistência de risotto. Rectificar os temperos, desligar o lume e adicionar o queijo ralado. 
Entretanto, preparar o peixe. Em quatro quadrados de folha de alumínio colocar as seguintes camadas: 1 rodela de limão, filete de peixe, sal e pimenta, 1 folha de salva e nova rodela de limão. Salpicar levemente com azeite, fechar os papelotes e levar ao lume numa frigideira até que o peixe esteja pronto (cerca de 10-15mins, sem ser necessário virar.
Nota: para a próxima vamos experimentar demolhar os grãos de cevada em água, overnight, para que o cevadotto possa ser feito sem que os grãos tenham que ser pré-cozidos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Arroz de frango e legumes

Quando o estômago pede leveza, conforto e simplicidade, recorremos aos sabores de sempre, guiados pelas mãos das mães e das avós. Comida de outros tempos, em que todos os ingredientes eram locais, saborosos e bastavam por si só. Do tempo em que o frango era sempre caseiro e os legumes vinham das quintas limítrofes da cidade. Do tempo em que eu corria de chinelos pela calçada abaixo, desfilando um vestido vermelho com pintinhas brancas como se fosse a mais prática farpela para brincar. Do tempo em que as coisas tinham um sabor genuíno e as pessoas não eram fingidas. Do tempo em que tudo era verdade e a mentira dava direito a malagueta na boca...
Arroz de frango e legumes

400g de arroz vaporizado
1,3L de água
1 cebola grande
2 dentes de alho
2 cenouras grandes
1 couve-coração
1 cubo de caldo de galinha
1 peito de frango
Azeite
Sal e pimenta

Num tacho grande, refogar o alho e a cebola picados juntamente com o azeite e o cubo de caldo. Adicionar a cenoura fatiada em quartos e deixar amolecer. Juntar o peito de frango em cubinhos, mexendo até que a carne esteja cozinhada por fora. Adicionar a couve em juliana, tapar e deixar cozinhar mais 5 mins. Por fim, deitar a água a ferver e o arroz, mexendo bem e deixando o arroz cozinhar até estar "al dente". Provar, rectificar os temperos e servir.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Marmelos com castanhas, rúcula e morcela crocante

São os sabores da época: fortes, encorpados, quentes. E o Outono é a estação perfeita para por à prova as nossas papilas gustativas. Entramos na altura do ano em que os sabores e as texturas são ainda mais interessantes e todas as combinações parecem possíveis! No fim do dia, é bom colocar na mesa uma travessa fumegante com tudo o que há de bom, sabendo que vamos terminar a refeição satisfeitos e com aquela sensação de bem-estar e de dever cumprido.  
Marmelos com castanhas, rúcula e morcela crocante
(ligeiramente adaptado da revista Saberes e Sabores n.º 214)

500g de castanhas congeladas
Sal
4 marmelos
Margarina líquida
Mel escuro
1 morcela de arroz
Pimenta
Noz-moscada
Rúcula

Lavar os marmelos, cortar ao meio na vertical e colocar num tabuleiro com a parte cortada virada para cima. Regar com a margarina líquida e um fio de mel e levar ao forno pré-aquecido a 160º C durante 40 mins (ou até a polpa dos marmelos estar macia).
Entretanto, cozer bem as castanhas em água e sal, escorrer e reservar. Cortar a morcela em rodelas e levar ao lume numa frigideira anti-aderente, deixando tostar bem de ambos os lados para ficarem crocantes. Retirar a morcela e reservar num recipiente no forno. Na mesma frigideira, colocar um pouco de margarina e saltear as castanhas, rectificando o sal se necessário e temperando com a pimenta e a noz-moscada moídas na hora. 
Dispor os marmelos, as castanhas e a morcela e polvilhar com a rúcula antes de servir.

domingo, 4 de novembro de 2012

Sopa de feijão branco com agrião e cogumelos

Com o friozinho que se faz sentir lá fora, apetece comer algo substancial, quente, reconfortante. Algo que nos faça sentir que tudo corre bem e que tudo vai estar sempre bem. E a comida tem este poder. Faz com que tudo pareça melhor. E nos dias em que o vento sopra agreste empurrando os pingos grossos de uma chuva fria, não há nada como uma boa sopa. Uma daquelas, com muito "antulho", que seguram uma colher na vertical e são o prato principal da refeição. Acompanhada por um chá fumegante e um pão caseiro acabado de tirar do forno, quem lhe poderá resistir? Nós não seremos, muito certamente! :)
Sopa de feijão branco com agrião e cogumelos
(adaptada da Revista Saberes e Sabores n.º 214)

1kg de feijão branco seco
Água
350g de cogumelos Portobello pequenos
1 cebola
3 dentes de alho
Azeite
150g de bacon em cubinhos
Sal e pimenta
Noz-moscada
150g de agrião

Lavar e demolhar o feijão em água de um dia para o outro. Escorrer o feijão, colocar num tacho grande, cobrir com água e deixar ferver durante 1h. Findo este tempo, separar o feijão (com o caldo de cozedura) em duas metades: uma pode ser dividida por saquinhos e congelada, para ser utilizada noutras receitas enquanto que a outra fica para a sopa.
Entretanto, limpar os cogumelos e laminá-los. Descascar as cebolas e os alhos e picá-los. Numa panela, fritar o bacon na própria gordura, adicionando os cogumelos para saltear. Temperar com sal, pimenta e noz-moscadas moídos na altura. Retirar esta mistura para uma taça e reservar. Na panela, colocar um fio de azeite e alourar a cebola e o alho. Adicionar o feijão cozido com o seu caldo e triturar com a varinha mágica até estar completamente desfeito (se estiver muito espesso, juntar um pouco de água a ferver até obter a consistência desejada). Rectificar o sal e deixar levantar fervura. Introduzir o agrião, mexendo bem, e assim que recomeçar a ferver, adicionar a mistura de cogumelos e bacon.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O melhor arroz do mundo e as saudades da minha avó

Quando somos pequeninos temos um palato pouco diversificado. Gostamos de comer "porcarias". Assim, havia quem gostasse de batatas fritas com bife. Quem gostasse de hambúrguer. Quem gostasse de pão com Tulicreme. Eu gostava de tripas enfarinhadas (é de pequenina que se torce uma mulher do norte). E de um arroz que a minha avó me fazia quando eu "aterrava" em casa dela para ficar durante "muitos dias". E embora o faça numa versão "à minha moda", o conceito está todo lá, bem como a sua versatilidade. É uma comida perfeita para qualquer dia. Especialmente se estivermos com saudades... 
O melhor arroz do mundo

1 chávena almoçadeira de arroz vaporizado
2 medidas (de arroz) de água
1 cebola
1 dente de alho
200g de linguiça fresca
400g de ervilhas
1 c. chá de açafrão
4 ovos
Sal e Pimenta

Num tacho médio (capacidade 3L) alourar a cebola picada e o alho esmagado com a linguiça em pedaços e o açafrão. Adicionar o arroz e mexer para incorporar. Juntar a água a ferver, deixar levantar fervura e reduzir para lume médio-brando. Quando a água tiver reduzido para metade, adicionar as ervilhas e um pouco de sal e pimenta. Quando o arroz estiver quase pronto, estrelar os ovos. Servir o arroz com os ovos: já no prato, desfazer cada ovo em bocadinhos e misturá-lo bem com o arroz. Pode ser polvilhado com queijo ralado!
Nota: na versão original, feita pela minha avó, o arroz era branco e depois ela misturava fiambre em cubinhos, ovo e queijo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Pescada espirituosa da Kika

Uma grande parte da nossa vida é, provavelmente, passada num tempo que não o presente. Tem alturas em que pensamos no futuro, em como vamos sair desta enrascada em que estamos enfiados, se amanhã precisamos de passar na mercearia, se faz sol ou vai chover no fim de semana. Tem outras alturas em que pensamos no passado, em quando éramos miúdos e corríamos calçada acima ou abaixo livres de preocupações, quando mudamos de casa ou das alturas em que o Natal era passado em volta de uma mesa sem cadeiras vazias. O passado e o futuro. E por vezes a inspiração para o jantar surge dessa combinação de tempos virtuais: pensamos em alguma coisa que fazia as nossas delícias em determinada altura (passado) e reformulamos mentalmente todos os passos, tentando imaginar (futuro) que sai exactamente de como nos lembrávamos que era ou sabia. Por fim está pronto a servir e esperamos que o momento presente nos aconchegue as memórias e deixe vontade de que se volte a repetir...
Pescada espirituosa da Kika

4 alhos-francês
3 cenouras médias
1 courgette grande
4 medalhões de pescada
1/2 limão (sumo)
3 ovos
Azeite
Sal
2 c.chá de Tempero Old Bay

Fatiar os alhos franceses, ralar a courgette e a cenoura. Numa panela de dimensão média alourar o alho-francês e a cenoura em azeite e Old Bay. Quando estiverem macios, adicionar a courgette e misturar bem. Dispor a pescada por entre os legumes, temperar com sal, tapar e deixar cozinhar. Assim que a pescada estiver pronta regar com o sumo de meio limão e, com a colher, partir a pescada em bocadinhos, mexendo bem para misturar com os legumes. Adicionar os ovos batidos misturando rapidamente para incorporar. Rectificar os temperos, se necessário, e servir com a nossa nova salada favorita acompanhada por tomatinhos-cereja.
Nota: a minha mãe utilizava açafrão em vez de Old Bay e misturava apenas as gemas batidas. Seguidamente incorporava as claras em castelo e levava tudo ao forno numa travessa, como se fosse uma espécie de soufflé.
Sexy, muito obrigada pelo Old Bay, foi mais um presente fabuloso e muito apreciado! Confesso que estou indecisa sobre se gosto mais disto ou dos Reese's. Por via das dúvidas o melhor é trazeres sempre "ambos os dois" :p

terça-feira, 31 de julho de 2012

Bolos Lêvedos dos Açores

É daqueles destinos que está no meu imaginário. Adorava poder visitar todas as ilhas com tempo, conhecer recantos e pessoas, desfrutar das paisagens e da gastronomia, perder-me em maratonas fotográficas pelos trilhos que serpenteiam as montanhas. Adoro ilhas. Já tive o prazer de visitar a Madeira e na, Grécia, fiquei-me por Santorini e Naxos. Falta-me visitar Porto Santo. E as restantes ilhas gregas (tantas, tantas, tenho que arranjar um acordo com o Senhor-lá-de-cima e ver se posso ter um esquema tipo gato, com vidas extra para saltitar por tanta ilha, com tempo, para apreciar todas as particularidades de cada uma). E, com imensa pena minha, ainda me falta conhecer tudo nos Açores. E como se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até Maomé, de cada vez que como um destes bolinhos sinto-me mais perto de chegar aos Açores :)
Bolos Lêvedos dos Açores
(adaptado de Manjar de Ideias Doces)

500+100g de farinha T65
125g de manteiga (utilizei Loreto, dos Açores)
120g de açúcar mascavado escuro
1+1/4 c. chá de fermento bio seco
200ml de leite morno
1 limão (raspa)
2 ovos

Numa taça colocar 500g de farinha e fazer uma cova no centro. Na cova deitar o açúcar, os ovos, a manteiga à temperatura ambiente e a raspa de limão. Misturar com uma colher de pau. Entretanto, dissolver o fermento no leite e juntar à massa, envolvendo sempre com a colher de pau. Passar a mistura para o processador de alimentos e, com o gancho da massa, deixar sovar bem. Se necessário, juntar um pouco mais de farinha.
Retirar e deixar levedar (dentro do microondas desligado) até duplicar de volume.
Fazer bolas do tamanho de uma laranja (se necessário, juntar mais um pouco de farinha para que a massa não se pegue às mãos) e colocar num tabuleiro enfarinhado. Deixar repousar durante 30 mins.
Aquecer uma frigideira anti-aderente, achatar as bolas e colocar na frigideira cerca de 5 mins para cada lado.
Servir quentes ou frios. Com queijo de ervas ou com linguiça picadinha. Por cá comemos estes bolos maravilhosos com quase tudo :)
Nota: da próxima vez que os fizer vou acrescentar 1 c. chá de sal pois parece-me que ficarão ainda mais saborosos.

domingo, 29 de julho de 2012

Bola de linguiça, queijo, tomate e tomilho

Porque os dias não são todos iguais, fizemos um pic-nic ao almoço, a meio da semana. Rumamos ao Jardim Botânico e, à volta dos lagos, debaixo de uma frondosa sombra, assentamos arraiais. No cesto estavam iguarias: Queques de feta, manjericão e tomate-cereja, Bola de linguiça, queijo, tomate e tomilho e para sobremesa, Iogurtes de chocolate branco e manteiga de amendoim. Para beber, água bem fresca, pois o calor assim pedia. O regresso ao trabalho até soube melhor, depois de um almoço em modo de fim de semana :)
Bola de linguiça, queijo, tomate e tomilho
(adaptado de Queques de queijo, tomate e manjericão de 200 Receitas Cozinha Vegetariana)

150g de farinha com fermento
100g de farinha de milho
1/2 c. chá de sal
70g de queijo Emmental
50g de tomate seco em azeite
2 c. chá de tomilho seco
1 ovo batido
300ml de leite
2 c. sopa de azeite
3 linguiças frescas (do Leandro)

Peneirar as farinhas para uma taça e misturar com o sal, o queijo ralado, o tomate em pedacinhos e o tomilho. Fazer uma cova no cento e deitar o ovo batido com o leite e o azeite. Misturar bem (a massa deve ficar com grumos) e envolver 2/3 da linguiça cortada em rodelinhas. Colocar numa forma de bolo inglês, enfeitar com a restante linguiça e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 1h. 


Aproveitamos, mais uma vez, para deixar muitos beijinhos para a Anita, e esperamos que ela goste tanto desta sugestão como das que temos vindo a partilhar!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Salada quente de salmão e a vida boa

Sabemos que temos vida boa quando uma das constantes preocupações que nos ocupa a mente é o que fazer para o jantar, inovando, sendo criativos e respeitando os gostos de ambos. Quando a maior preocupação do fim de semana é decidir para onde vamos passear ou escolher entre as várias actividades que o bom tempo nos proporciona. Quando "discutimos" porque 2 (ou melhor 200) dedos de conversa nos atrasam para brincar com o sobrinho na praia. Quando ficamos indecisos entre as várias pequenas clareiras bucólicas onde estenderemos as toalhas para descansar na frescura das árvores. Quando o desastre do século foi uma comida que saiu menos bem. Sabemos que temos vida boa, ou melhor, maravilhosa, quando os dias são preenchidos de pequenos nadas que afinal são tudo. Porque simplesmente sabemos. E ainda assim, a vida é mesmo, mesmo boa :)
Salada quente de salmão

2 lombos de salmão
4 ovos
400g de grão de bico (cozido)
1/4 de pimento vermelho
1/4 de pimento verde
200g de tomate-cereja
1 punhado de azeitonas pretas
Sal e piri-piri
1 folha de louro
Salsa seca
Azeite
Vinagre de framboesa

Cozer os lombos de salmão em água temperada com sal e folha de louro durante 15 mins. Adicionar os ovos quando faltarem 10mins para tirar o salmão. Escorrer e reservar.
Aquecer o grão de bico cozido e colocar na saladeira. Adicionar o tomate cereja em quartos, os pimentos em bocadinhos, as azeitonas em rodelas, o salmão às lascas e os ovos em cubos. Temperar com azeite, vinagre de framboesa, salsa e piri-piri. Se necessário, rectificar o sal antes de servir.