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quarta-feira, 5 de março de 2014

Wednesday picks | Restaurant week

Foto @ Três Séculos

Este foi finalmente o ano em que conseguimos experimentar a iniciativa Restaurant Week. Já o tencionávamos fazer em edições anteriores mas, como que por artes mágicas, acabou por não se proporcionar. Esta iniciativa promove a democratização do acesso à restauração de luxo, contribuindo em simultâneo para causas sociais. Os restaurantes aderentes apresentam um menu específico a um preço convidativo (20 euros, dos quais 1 euro reverte a favor de instituições de responsabilidade social. Nota: o preço não inclui bebidas).

Assim quase que impulsivamente, vimo-nos com reserva para um dos restaurantes que fazia tempo queríamos experimentar: o Barão de Fladgate, das Caves Taylor's. As expectativas eram elevadas visto termos boas referências de familiares muito próximos.
Véspera de Carnaval, atravessamos o espelho negro que era o rio Douro e apreciamos as luzes da cidade do alto da margem de Vila Nova de Gaia. Fomos recebidos pelo grito de um dos pavões empoleirados nos ramos de uma árvore.

Foto @ Três Séculos

A sala é bonita, espaçosa. O calor vindo da lareira convida a entrar e ficar no conforto. Duas das paredes são feitas de janelas em arcada com vistas para o rio e para a cidade. Cinco minutos depois verificamos que essas mesas, as melhores, não eram atribuídas aos Restaurant Weekers. Calhou-nos em sorte a mesa mais distante de qualquer janela mas fomos compensados por ficarmos entre a caixa registadora e telefone histérico, no acesso para os WCs que fazia paredes-meias com a porta de vai-vem de acesso à cozinha. Muito animado, portanto.
Ok, já nos estamos a sentir como clientes de segunda. E não há nada pior do que isso. Primeiro arrependimento da noite. E esperamos que seja o único.

Já tínhamos visto menu on-line e sabíamos o que escolher.

Ondina: Tábua de queijos (Serra, Ilhas e Rabaçal) e enchidos Portugueses (presunto da Serra, paio, chourição) | Taco de bacalhau com crosta de broa e presunto, batata a murro e grelos salteados em azeite e alho | Bolo de chocolate com molho de chocolate negro, mousse de chocolate de leite, mousse de chocolate branco, pétalas de flores

Vel: Tiborna de sardinha marinada sobre broa de Avintes, ovas de bacalhau e salada Portuguesa | Cernelha de porco assada lentamente, batata gratinada com enchidos, puré de brócolos, cebolinhas em vinagre e jus da carne | Bolo de chocolate com molho de chocolate negro, mousse de chocolate de leite, mousse de chocolate branco, pétalas de flores

Vinho: Evel maduro tinto

A tábua, que era um prato, apresentava-se decepcionante. Logo aqui perdi a vontade de fotografar: as fatias de enchidos pareciam ter saído directamente das embalagens de um qualquer supermercado, o queijo da ilha não tinha aquele sabor forte e picante que tanto o caracteriza (pelo menos o que comemos em casa, com cura de 9 meses) e as tostas pequenas e quadradas eram muito semelhantes às que se vendem em grandes pacotes. Nem uma compota, marmelada ou chutney para acompanhar os queijos. O empratamento era terrível: o nosso sobrinho de 3 anos teria feito algo muito semelhante sem grande esforço. Perante o meu ar desolado, o Vel ainda arriscou um "queres trocar?": a entrada dele era visualmente apelativa, cheia de cor e bem apresentada. Do que provei, era bom, embora um pouco insabido. Para o Vel, ficou tudo muito aquém do esperado. 

Os pratos principais não se fizeram esperar. Chegaram prontamente e em porções pequenas: nada que já não esperássemos. 
O taco de bacalhau era bom, macio e saboroso, embora um pouco insosso. A crosta de broa e presunto representava um bom contraste de textura e sabor. As 3 batatinhas a murro eram macias embora insossas e os grelos eram a melhor coisa do prato. Se comêssemos uma garfada com as 3 componentes, bacalhau-batata-grelos, o resultado final era saboroso mas cada um só por si não estava nada de especial.
Para mim a cernelha era macia, tenra, quase que se desfazia na boca, embora um pouco insossa. Os seus acompanhamentos eram muito saborosos. Para o Vel a única coisa decente era o gratinado de batata. Este prato consistia numa porção um pouco mais generosa quando comparado com o de bacalhau.

Para sobremesa a escolha foi unânime, se bem que o Vel a tinha prontamente trocado por um copo de Bushmills. O bolo de chocolate era agradável, com o interior ligeiramente húmido. O molho de chocolate negro combinava bem. A mousse de chocolate branco foi uma agradável surpresa pois contrastava com o sabor predominante de chocolate negro. A mousse de chocolate de leite era um pouco enjoativa e tornava a sobremesa pesada. Não me lembro das flores. Havia sim uma espécie de rede de chocolate, tipo escada entre o prato e a fatia de bolo, onde as quenelles de mousse estavam "empertigaitadas". O Vel, na sua acutilância que lhe é tão característica nestas alturas, apenas comentou que o bolo parecia feito de um qualquer preparado "Elsa". :D

No final a dolorosa ficou-se pelos 54€ e nós saímos algo desanimados. Esperávamos que, apesar de ser a Restaurant Week, o restaurante aproveitasse a iniciativa como montra de forma a cativar os clientes. No nosso caso isso não aconteceu. O serviço era simpático, pouco intrusivo (quase deixaram a garrafa por nossa conta) e eficiente mas a qualidade da refeição, para o restaurante que é, ficou bastante aquém das nossas expectativas. Não há nada pior do que sair de um restaurante com a sensação de sermos clientes de segunda (note-se que das mesas à janela, 4 delas permaneceram vazias durante todo o tempo que decorreu o nosso jantar), que tínhamos comido melhor em casa e que preferíamos ter entregue o valor total da refeição a uma das instituições beneficiadas pela Restaurant Week.

Foto @ Três Séculos

No regresso a casa relembramos, a título de exemplo, a nossa ida ao Comercial: pagamos bem mas saímos satisfeitos e com vontade de regressar. Independentemente de ser o tasco mais modesto ou o restaurante de Chef, não nos importamos de pagar o preço justo pela refeição, temos é que ficar satisfeitos!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Se a vida te dá férias, aproveita-as bem!



Em boa hora nos decidimos a ir para sul. A norte o tempo continuava pelas ruas da amargura de modo que resolvermos tentar a nossa sorte por paragens mais próximas ao equador. Tínhamos planeado um périplo por vários locais e na segunda-feira passada, depois de alguns percalços saímos rumo a Setúbal, a nossa primeira paragem. Ficamos hospedados no Hotel do Sado Bussiness and Nature, num quarto excelente com vistas para Tróia. Os únicos senão deste hotel 4* foram o facto de ao pequeno-almoço terem estagiários a servir e que faziam uma barulheira na copa, bem como o facto de o sumo de laranja ser de pacote... O restante pequeno-almoço era bastante razoável, com um excelente queijo fresco e, segundo o Vel, uns bons ovos mexidos.


Em Setúbal, fomos aconselhados pelos nossos seguidores do Facebook a experimentar o choco frito, como não poderia deixar de ser. Fizemos uma ronda pelos restaurantes da marina/porto e pelos da Avenida Luísa Todi e, quando regressávamos para encontrar uma das sugestões do Facebook encontramos a 490 Taberna STB. Ao ler o menu sabíamos que era ali que íamos jantar. O espaço está bem decorado, num estilo taberna moderna e despretensiosa, tornando-se bastante acolhedor e confortável. Optamos pela esplanada (afinal a sul estava bom tempo!!!!) e começamos pelo princípio: um excelente pão, umas azeitonas deliciosas e uma manteiga de ovelha de comer e chorar por mais. O vinho, maduro tinto, do jarro era José Maria da Fonseca e cumpriu lindamente a sua função durante todo o repasto. Para jantar tivemos uns suculentos chocos fritos, que regamos com um gigante quarto de limão, acompanhado por batatas fritas e de um molho "amostardado" muito bom. A outra opção foi o hiper-mega-maravilhoso-e-delicioso arroz de navalheira (ligueirão, lingueirão, longueirão, canivete, navalha) com coentros. Vinha num tachinho de esmalte preto com pintinhas brancas e que me lembrou a casa a minha avó. No fim, e já muito, muito satisfeitos, houve ainda espaço para um café (para o menino) e uma panna cotta com frutos vermelhos (para a menina). A 490 Taberna STB vale bem uma visita: o serviço é simpático e eficaz e nota-se que tudo é feito com muito gosto e prazer. Já não nos lembrávamos de jantar fora e sermos tão bem servidos, com comida tão bem confeccionada e sem ter uma reclamaçãozinha qualquer a fazer. Pagamos com gosto uma conta simpática e o termos sido tão bem recebidos. Foi um belo início de férias!


Terça-feira apanhamos o ferry-boat para Troia. O céu encoberto era cão que ladrava mas não mordia. Passeamos por uma Troia quase deserta e com poucas infraestruturas para o lazer de um visitante passageiro.
Avançamos depois pela estrada a braços com o mar em direcção a Porto Covo. Próximo desta cidade, a estrada ao lado do mar imprime em nós uma sensação maior de estarmos em férias. O sol brilha e se não fosse o vento fresco, nunca diríamos que estávamos em junho e que no Porto chovia copiosamente (informação dada pelos papis). Porto Covo é um local encantador. Ponto. As casas típicas, o ar relaxado das pessoas, as crianças a brincar pelo meio dos idosos sentados na praça principal. 


Aqui optamos por um almoço-alancharado (afinal eram 16h) no restaurante Torreão: cerveja fresquinha, ameijoas à bolhão pato e gambas ao alhinho, tudo acompanhado por um delicioso pão alentejano. Apenas as gambas nos deixaram de pé atrás pois ficamos com a ligeira sensação de serem congeladas. 


Depois de reabastecidos, seguimos rumo a Vila Nova de Milfontes para pernoitar. Ficamos alojados no Duna Parque, no apartamento Amor Perfeito que, curiosamente, era twin (comentário do Vel: como querem que se faça o amor perfeito se nos dão camas separadas????). Para férias prolongadas é um apartamento simpático e funcional, com vistas sobre a piscina. Saimos para um jantar tardio e optamos por parar no posto da GNR e aconselharmo-nos sobre o melhor spot para jantar: nada como os locais para nos ajudarem. Uma simpática agente aconselhou-nos o Pátio Alentejano e lá fomos nós. Um espaço muito engraçado e típico com pessoal muito simpático e sorridente. As entradas (queijo curado, azeitonas e paio) estavam deliciosas. O vinho tinto, do jarro, era muito bom. O repasto fez-se com carne de porco à alentejana e açorda (de bacalhau) à alentejana: tudo servido em doses extremamente generosas!!!!!!
No dia seguinte, e sendo o pequeno-almoço do Duna Parque muito básico para justificar 5€ por pessoa, resolvemos passar pela confetaria Mabi para os croissants folhados recheados. Uma coisa comum aqui para baixo é a falta de serviço às mesas. Claro que é uma forma de cortar na despesa com o pessoal e em tempos de crise supostamente vale um pouco de tudo, mas nem sequer ter pessoal para levantar a loiça que os clientes deixam????


Depois de novo passeio por Mil Fontes, com ida à praia, seguimos em direcção a Almograve, Cabo Sardão e Zambujeira do Mar. O vento da costa alentejana estava frio e, apesar da paisagem maravilhosa, ficamos contentes por rumar ao interior.



Odemira foi ponto de paragem para uma visita à cidade: aqui o calor fazia-se sentir e cerveja e gelado foram recebidos com agrado. 


De volta à estrada seguimos para Beja. Ficamos alojados no Beja Parque Hotel e terminamos a tarde a banhos de sol na piscina. Ao fim do dia fomos passear pelo centro histórico de Beja, encantador no lusco-fusco. Por sugestão de um casal transeunte, jantamos na Adega Típica 25 de Abril onde um empregado jovem e com a mania de ser engraçadinho nos deixou bastante irritados. Azeitonas e bom pão alentejano com manteiga deram início ao jantar, bem acompanhados de vinho do jarro. Seguiram-se sopa de nabiça com feijão e secretos de porco preto. Pedimos arroz à parte de serviram-nos uma tacinha minúscula. Para encerrar uma sericaia, sem ameixas de elvas e sua calda. Um jantar que não deixou vontade de regressar.
Na manhã seguinte, e depois de um substancial pequeno-almoço de hotel que, mais uma vez, apesar de 4* não tinha sumo de laranja natural, rumamos novamente ao centro para visitar o lindo castelo de Beja.


Já de tarde partimos rumo ao património mundial de Évora. Assentamos arraiais no acolhedor Best Western Plus Hotel Santa Clara onde fomos recebidos por uma recepcionista amorosa. Partimos à re-descoberta das ruelas de Évora e de alguns dos seus principais monumentos. Paragem obrigatória (para o Vel) na esplanada que servia imperiais a 0.50€ (pedidas ao balcão, em copo de plástico e apenas a estudantes mediantes apresentação de cartão válido - mas claro que isto era demasiada informação para um homem que se ficou pela publicidade em letras garrafais de cerveja tão barata...). Um pequena volta pelo mercado com promessa de voltar no dia seguinte. Passamos ainda pela linda esplanada Pátio para desgustar um copo de vinho. 


Fiados no Fialho foi com desilusão que o encontramos encerrado para férias e remodelação, não sem uma simpática palavra de apreço por parte do dono. Seguimos a sugestão de alguns seguidores do FB e da nossa recepcionista e jantamos no restaurante D. Joaquim. Mais chique do que o esperado, fomos conduzidos pela simpática Ana ao longo de um jantar que não trouxe consenso: as azeitonas, o pão e o azeite caseiro estavam deliciosos. O vinho, um Julian Reynolds reserva 2007, sugestão da Ana, e que se revelou o ponto alto da noite. Seguiu-se um arroz malandrinho de lebre (uma espécie de cabidela de lebre temperada com coentros, delicioso, pecando apenas pelo ossículos perdidos pelo arroz) e bifes de porco preto com migas de batata que não convenceram o senhor da mesa. Para terminar um gelado de azeite e mel, cujo sabor era divinal embora tivesse pedaços de gelo no seu interior (e de notar que uma pequena bola de gelado custava 4,50€ - preço excessivo para o tipo de sobremesa). Sensação final com que ficamos foi que a montanha pariu um rato (algo carote!).

Na manhã seguinte, ficamos algo espantados com o pequeno-almoço do acolhedor Santa Clara: bem servido para um 3*, com sumo de laranja natural feito pelos próprios hospedes, bons camembert e requeijão, pão alentejano e uma variedade de opções muito próximo de um 4*. De depósito bem atestado voltamos a calcorrear Évora, com passagem pelo mercado municipal, comprinhas da Divinus Gourmet e uma descoberta encantadora: a Roda da Fortuna, ainda por abrir ao publico, onde compramos um set de talheres de madeira artesanal. Um espaço que vale a pena visitar, com artesanato alentejano de qualidade e muito bom gosto. Para além de ser um espaço amoroso! 


Depois de voltarmos à deliciosa esplanada Pátio para refrescarmos o corpo e a alma partimos para a Guarda onde uma Babe aniversariante aguardava a nossa chegada. Fomos recebidos por uma grande família de braços abertos e sorriso no rosto. Houve muito vinho bom, muita comida e sobremesas para festejar o dia da Babe. Na manhã seguinte, e depois de uma boa noite de sono, fomos até à Vermiosa, conhecer a terra da Babe e a casa dos avós. Chegados, fomos levados pela avó até à adega para provarmos o vinho. Uma adega fresquinha, um vinho bom, que mais poderíamos querer???? Pão, presunto, azeitonas e queijo, claro! Não se estava mesmo a ver? :p


Para ajudar à digestão, fomos visitar a horta do avô e, depois de uma divertida viagem na caixa aberta de uma pick-up fomos ver os fardos de palha e as vacas do tio. 



Não satisfeitos, e porque o Sábado tinha todo o tempo do mundo, passamos por Castelo Rodrigo para visitar as ruínas do Castelo, a paisagem deslumbrante e calcorrear as ruelas de uma das aldeias históricas de Portugal. Como não poderia deixar de ser, paramos na esplanada para chá gelado, boa conversa e recuperar energias. 



Saímos com a promessa de voltar para visitar tudo o resto que ficou ainda por ver e, quem sabe, um dia ficar mesmo por lá, naquele sossego tão apaziguador que nos fez sentir que o momento presente é realmente aquilo que conta e que deve ser vivido com plenitude e felicidade.


O dia terminou já de noite, com o regresso a casa e o coração a transbordar de tudo o que é bom :)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um jantar no Mediterrâneo

Fonte: Facebook do Mediterrâneo

Sábado passado fomos jantar ao restaurante Mediterrâneo do Porto, na zona das Antas. Uma sala agradável, moderna, airosa, confortável. A organizadora do "evento", a nossa amiga Ana, marcou mesa para as 21h15 pelo que quando chegamos o restaurante estava no auge: casa cheia, conversas espalhadas pelo ar, sorrisos e olhares alegres, pessoas felizes.
Na mesa, de decoração simples mas de uma elegância rústica irrepreensível, uns grissini com sal, ervas e pimenta acompanhavam-se por pãezinhos e taças de azeite com vinagre balsâmico. Enquanto aguardávamos fomos dando conta dos grissini que, por sinal, e apesar de terem um bom sabor, estavam moles.
A carta não era extensa nem pequena demais mas a maioria dos pratos, assim numa primeira leitura, não apresentavam nada de novo. Decidi-me por uma lasanha vegetariana (tenho sempre curiosidade em experimentar este prato onde quer que vá, como comparação) e o Vel pediu um risotto de cogumelos (penso que também ele gosta de testar os restaurantes com os risottos!). Para beber, os nossos companheiros pediram sangria de vinho branco, que estava fresca, leve e agradável. O risotto foi o primeiro a chegar, com uma cor linda e um aspecto super apetitoso. Não resisti e tirei uma garfada. Para meu desconsolo estava insosso. O Vel pediu para lhe trazerem parmesão, na esperança de remediar o estrago, mas nunca ficou um bom risotto. Servidos os restantes, a lasanha chegou em ultimo lugar, fumegante e com uma nota do nosso empregado "está fresquinha, acabada de fazer". Na primeira garfada os sentidos relaxaram perante os sabores. Muito bom. Na segunda garfada confirmaram a sua satisfação. Na terceira garfada ficaram alerta pois a temperatura tinha descido para fresca (afinal, o empregado não me tinha mentido!!!!). Abri a lasanha ao meio, retirei uma garfada do centro e estava de facto gelada. Fresquinha, fresquinha, acabada de sair do congelador, pensei eu. Após uma reclamação, pediram para escolher outro prato (provavelmente para não me trazerem outra lasanha congelada) e, muito desapontada e desconsolada, optei pela única pizza que me parecia diferente das restantes: salmão fumado, mozzarella e rúcula. Chegou à mesa, enorme e quentinha, com massa fina e estaladiça. Um sabor interessante nas duas primeiras garfadas mas que, mesmo com sumo de limão, logo se tornou enjoativo dado que a base estava coberta por salmão e o mozzarella não tem sabor suficiente para o cortar. Entretanto, a meio da degustação do seu risotto, o Vel teve uma (des)agradável surpresa que o deixou com vontade de esganar o chef de forma lenta e dolorosa: trincou um dente de alho, bem fresco, que resultou num hálito anti-vampiro que perdurou durante os dois dias seguintes!
A esta altura, estávamos de facto decepcionados. Para ter pelo menos um apontamento positivo lá me decidi a provar uma sobremesa: tarte de lima, sempre com o pensamento no mote "o que pode correr mal numa simples tarte de lima? Nada!". Em comparação com as restantes sobremesas, a minha fatia era, digamos, raquítica, mas tudo bem, seria compensada pela explosão de sabor. De facto o recheio da tarte não era mau, mas também não era nada de especial e a base de bolacha estava "mole" (ou teria sido feita com bolachas moles????). 
No final, "la dolorosa" nem foi assim tão surpreendente: não chegava a 20€ por cabeça, mas ainda assim um preço elevado para o serviço prestado. Ah, e a tarte raquítica foi oferecida, talvez para compensar os vários desaires. 
Uma pena! Um restaurante que de aspecto tinha tudo para ser excelente e que numa primeira visita afugentou os clientes...

Fonte: Facebook do Mediterrâneo

domingo, 26 de fevereiro de 2012

La Ricotta

Imagem: La Ricotta

Faz quase um ano que fomos ao La Ricotta. Foi o meu presente de aniversário. E porque deixar uma crítica um ano depois, quando tanto pode ter mudado? Pois bem, talvez tenha mudado, talvez não. E como nem só de receitas vive este blogue, aqui fica a nossa opinião.
O La Ricota está muito bem situado e tem um ar bem acolhedor quando passamos por ele. Mesas próximo da janela, semi encobertas por uma garrafeira que parece "meter respeito". Ao chegarmos, fomos conduzidos pela escadaria que leva ao andar superior, numa sala de elevado pé direito mas que, mesmo assim, mantinha o tom acolhedor. 

Imagem: aeiou-visão

Para entradas sugeriram uma degustação de azeites da casa esporão. Pois muito bem, venham eles. E junto com os azeites veio uma explicação detalhada das diferenças de cada um, num monólogo decorado pela empregada que, caso fosse interrompida, descarrilaria mensagem para todo o sempre. Foi caso para dizer que ficamos logo com os azeites (desculpem a piada fácil).
Como prato principal, e porque em casa comemos sempre muitas massas, ambos escolhemos pizza. Podemos dizer que foram tão memoráveis que, passado poucos meses, eu nem me lembrava do que tinha sido o jantar. Teve que ser o VelSatiS a recordar-me. Pelo preço de cada pizza, ficariamos muitissimo mais bem servidos no Casa D'Oro que, apesar de manter a mesma ementa desde que veio ao mundo, cada tiro cada melro, saem sempre deliciosas!
Durante o jantar, a emprega esteve constantemente assegurar-se de que os nossos copos de vinho não ficavam sequiosos, pelo que fomos interrompidos muito mais do que gostaríamos, tendo-se quebrado a conversa e o "clima" com o constante corropio (teve alturas que me apeteceu gritar-lhe "não tente, ok, só vamos consumir esta garrafa de vinho!"). Não obstante de ficarmos distraídos pelas tatuagens (horríveis, e nós até gostamos de tatuagens, ok?) que lhe enfeitavam os dedos.
Depois de uma pizza assim-assim pensei em salvar o jantar com a minha sobremesa de eleição em Ristorantes: a pannacotta. Pois bem, não tivesse o VelSatiS tomado uma atitude e ainda hoje, quase um ano depois, eu estaria à espera da bendita sobremesa que, tenho que admitir, era boa (valha-nos ao menos isso!). Quem não admitiu que se esqueceu da minha sobremesa foi mesmo o staff do restaurante.
No fim, e como é da praxe (lol), veio "la dolorosa". E que dor!!! Um jantar para duas pessoas com uma entrada de pão e azeite, uma garrafa de vinho e outra de água, 2 pizzas, uma sobremesa e um café ficou pela módica quantia de 60€!!!!!!!!!!!!! Mal saímos para a rua, estava eu ainda atónita e a ver notas de 20€ a esvoaçar para longe dos meus olhinhos, quando ambos verbalizamos a ideia que nos trespassava a mente: aqui nunca mais voltamos! E como a verbalização é uma tomada de consciência...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um aniversário, um restaurante e uma crítica

Esta semana tenho estado em baixo de forma devido à gripe infinita da morte que se apoderou de mim. Na 2ª feira perdi o paladar e o olfacto e só os voltei a recuperar a tempo do nosso jantar de comemoração. 
Decidimo-nos pelo O Comercial, o restaurante do Palácio da Bolsa. Após uma série de marcações e desmarcações (devido ao meu estado quase comatoso!!!) ontem lá fomos celebrar aquilo que, na verdade, celebramos todos os dias :)
O restaurante é lindo, temos a sensação de entrar num clausto, e está muito bem decorado: sóbrio, elegante e moderno, combinando na perfeição com o ambiente austero imposto pelas colunas de pedra e os tecto abobadados.



Entradas
Menina - Folhado de queijo de cabra com brunesa de morcela e reineta caramelizada
Menino - Crocante de alheira
Couvert

O couvert era composto por duas tacinhas de azeite, uma com vinagre balsâmico e outra com alho, apresentadas numa longa e esguia travessa. O pão era branco e simples, em fatias ainda mornas. Como salientou o Menino, o pão é uma das coisas mais importantes da refeição pois é a primeira impressão que fica com os clientes. Esperavamos um pouco mais.
Ambas as entradas foram apresentadas de forma simples mas elegante em pratos rectangulares com salada de folhas selvagens a acompanhar. O folhado era verdadeiramente delicioso, combinando muito bem o sabor do queijo e da morcela com o doce da maçã. Pena serem dois folhadinhos muito pequeninos. O crocante de alheira já era uma porção bem razoável, para entrada, de recheio de alheira enrolado em massa filo com ovo de codorniz a cavalo, tudo também muito saboroso e suave, com uma consistência perfeita entre os crocantes e a suavidade dos enchidos.

Prato Principal
Menina - Magret de pato com risoto de ameixa
Menino - Posta mirandesa com o tradicional molho mirandês

Tivemos alguma vontade de rir quando nos serviram os pratos principais. A posta trazia um ramo de tomilho que, pela dimensão do conjunto, quase classificava como uma árvore ao alto. O pato trazia "uma erva", também na vertical e, caso eu inclinasse ligeiramente a cabeça, ela enfiar-se-ia no meu nariz. Ultrapassada esta dificuldade (!!!!!), era hora de degustar: o pato, mal passado come il faut, estava um pouco mais duro do que seria desejável, mas o seu sabor era excelente e a gordura estava bem crocante. O risoto de ameixa foi uma surpresa com tanto de bom como de mau: bom porque realmente era uma novidade e era bastante saboroso, mas ao fim de umas quantas garfadas tornou-se doce demais e aborrecido, pois o sabor da ameixa encobria os restantes ingredientes. Já a posta mirandesa foi um verdadeiro sucesso: a carne era tenra, suculenta e muito saborosa, acompanhada de batatas e grelos, tudo muito bem confeccionado e no ponto, reforçando a ideia de que a comida tradicional portuguesa sabe ser moderna e elegante. Ambos os pratos estavam bem serviços em termos de porções.

Sobremesa
Menina - O melhor fondant de chocolate do mundo
Menino - café

Todos sabem que sou gulosa. E confirmo. Sou gulosa e gosto de sobremesas, mas adoro todas as etapas da refeição e não dispensaria uma em detrimento da outra.
O fondant foi uma verdadeira surpresa. O aspecto parecia ser um bolinho coberto com excesso de farinha e manteiga (da forma?) e quando pressionava com a colher parecia uma bola de borracha. Ao abrir com o garfo, o exterior revelou uma espessa mousse de chocolate negro que escorreu lentamente até beijar o prato. Na boca, a cobertura exterior era crocante contrastando lindamente com a suavidade da mousse.
Estas sensações vinham acompanhadas de uma redução de frutos silvestres e de um shot de vodka e gelado de menta. 

Vinho
Lello tinto, Douro - agradável, com boa cor, bem rubi, e um complemento perfeito para todas as etapas da refeição, que exigiam um bom vinho maduro tinto.

O jantar teve um serviço simpático, formal e não muito intrusivo embora seja inevitável ter a conversa interrompida quando o empregado volta à mesa para servir mais vinho - adorava que deixassem a garrafa por nossa conta! A sala, por ser grande, com um pé-direito elevado e colunas de pedra, estava fria, levando a que a comida arrefecesse rapidamente.
No final, la dolorosa ficou-se num valor muito próximo dos 75€. É pesadote, mas tendo em conta que noutros restaurantes já pagamos 60€ e a refeição não chegava sequer aos calcanhares desta, até valeu a pena!

Nota: as fotografias foram retiradas de seeyou2nite.com e oportocool.wordpress.com

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hellenikon



Finalmente! Após vários desencontros lá conseguimos ir ao Hellenikon. As expectativas eram muitas. Da comida, do ambiente grego e, penso que tanto para mim como para o Marco, voltar mentalmente à Grécia para matar as saudades nem que fosse de forma virtual.
O espaço é simplesmente amoroso! Entramos numa sala em tons de amarelo e azul, muito engraçada, mas que estava vazia. 



Fomos encaminhados por um corredor estreito e alaranjado, passamos pela cozinha e chegamos a uma sala pequenina, em branco e azul, muito acolhedora e intimista. A sensação que tivemos foi a de estar a  jantar em casa de alguém.




Com os dedos a fervilhar, lá passeamos pelo menu que, por ser manuscrito, não é fácil de ler: os nomes dos pratos, além de escritos em grego (e com alguns erros) estavam escritos a duas canetas diferentes sobrepostas. A confusão. 
Decidimo-nos por várias mezédes, as maravilhosas entradas. Ficamos logo decepcionados porque não havia pita. Como pode um restaurante grego não ter pão pita para servir com tzatziki? Foi o primeiro desgosto. Podiamos dar a dica do Ikea: os pães suecos, redondos e congelados, são iguaizinhos às pitas gregas!
Entre mais algumas mezédes que não estavam disponíveis, como o saganaki, lá nos decidimos por uma tiropita (folhado de queijos a que eles insistiam em chamar spanakopita (folhado de espinafres)), melitzanes tiganites (beringelas fritas) e dolmadakia (folhas de videira recheadas). Como refeição principal escolhemos uma moussaka para dividir.
Para reconfortar o estômago e a mente por falta de alguns essênciais muito desejados, lá petiscamos uma tacinha com feta, tomate e tapenade negra. Segundo desgosto: o feta era desensabido. A única explicação que encontramos foi que talvez o conservem em água. Regra de ouro: o feta deve ser conservado em azeite e oregãos frescos!
Finalmente lá chegaram as entradas. As tiropitas eram muito boas, as dolmadakia maravilhosas, pois regamo-las bem com sumo de limão e as melitzanes foram o terceiro desgosto: insossinhas que sei lá o quê! Tendo em consideração que devemos salgar as beringelas para lhes extrair a água antes de envolver no polme para fritar, fico sem perceber a razão desta falta de sal.
Já com pouco espaço para continuar a refeição, lá fomos presenteados com a moussaka. Uma pequena fatia de moussaka que custava a módica (e aqui estou a ser bastante irónica) quantia de 15,50€! E foi este o quarto desgosto. Para além de pequena e cara, a moussaka ou estava insossa (isto está a tornar-se um padrão!) ou então tinha canela e noz moscada a mais, pois a carne apresentava um sabor adocicado. 
Não havia barriga para sobremesa. Bem que gostava de ter enfiado os meus dentinhos numa bela baklava, mas por falta de companhia (o Marco raramente come doces) lá me contive.
No final tivemos o quinto desgosto: 46,50€ - a beber cerveja (que a malta raramente comete a loucura de escolher vinhos em restaurantes) e sem sobremesa.
Uma coisa é certa, quem vier jantar ao Hellenikon não fica hipertenso devido ao excesso de sal, muito pelo contrário. Mas a hipotensão gastronómica será devidamente contrabalançada ao receber "la dolorosa"!


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Zé Neto - Coimbra

Rumamos a Coimbra. Sob um sol escaldante e calor infernal, valeu-nos o AC fresquinho, qual Calipo de limão.
Chegamos à Rua das Azeiteiras para almoçar no Zé Neto. Dispensa recomendações. Dispensa fotos. Dispensa tudo excepto a comida maravilhosa que ali se serve e a simpatia. Da Dª Lúcia, que bem nos serve à mesa. E do Sr José Neto, que hoje faz 84 primaveras e resolveu ir trabalhar naquilo que sabe fazer melhor. Agradar aos clientes. É bom quando se faz aquilo de que se gosta. Dá saúde. Aumenta a longevidade.
A broa era a maravilha de sempre. Resolvemos pedir Ameijoas à Espanhola, que vieram como entrada. Nada do que possa dizer vai fazer justiça, portanto remeto-me para a minha insignificância e digo: vão lá provar o petisco. Mas a broa no molho das ameijoas é coisa dos Deuses! Avançamos depois para o prato principal: Açorda de Coentros com Petinga frita. Mais uma vez, só provando é que se faz justiça! Sempre bem regado por um maduro branco da casa (é verdade, sou fã incondicional do maduro tinto mas há que saber trocar as voltas de vez em quando). E já muito empanturrados lá escolhemos um pratinho de cerejas para "desenjoar". Vermelhas, grandes, suculentas, sumarentas e doces q.b.
Não satisfeitos com tamanha comilança, atravessamos a ponte rumo ao Convento de Santa Clara a Velha. Esgotamos o stock das Clarissinhas (http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Gastronomia-de-Coimbra-esta-mais-rica.rtp&headline=20&visual=9&article=344846&tm=8).
Coimbra, tem sempre encanto, quer seja quando chegamos, quer seja quando nos despedimos. Especialmente quando o fazemos de barriguinha bem reconfortada!