Porque nem só de receitas vive um blog. Ou uma pessoa. Neste caso eu.
O mundo da gastronomia estende-se por um extenso rol de actividades, nomeadamente filmes e livros. E é bom ver filmes que nos despertam os sentidos e abrem o apetite. Mas melhor do que filmes só livros, na minha muito modesta opinião. A imaginação fervilha a tentar transpôr para imagens mentais as páginas que os olhos vão devorando. Porque os olhos também comem. Principalmente livros.
Num dia de verão assim mais tímido eis que os meus olhos pousaram nas cores maravilhosas deste livro. Senti-me instaneamente atraída: a riqueza dos tons, as imagens a apelar ao estilo indiano e a minha costela logo se identificou com a capa. A sinopse deixou-me curiosa e com vontade de ler mais. Podia ser o caso de uma montanha parir um rato e esta ser apenas uma boa sinopse. Mas não. Este é um livro delicioso, quer a nível culinário quer a nível social. A comida indiana numa pequena aldeia francesa, a evolução da relação de um jovem indiano aspirante a cozinheiro com a sua mentora famosa Chef de cozinha tradicional francesa, os meandros por detrás das estrelas Michelin, etc.. O enredo apaixona e suga-nos. Queremos saber o mais sobre a travessia do protagonista, se vai ser bem sucedido nas suas aspirações e se chegamos todos ao fim com a sensação de dever cumprido.
Agora que o Outono ainda teima em ser Verão, nada como preparar os sentidos para os aromas que o Inverno há-de trazer.

