O feriado de Todos os Santos sempre foi o meu favorito. Não propriamente pela exposição a costumes estrangeiros. No meu tempo de meninice não havia "doces ou travessuras", não havia máscaras nem modernices importadas. Havia um feriado que eu festejava principalmente com a minha avó. Era a altura em que o Inverno estava quase a chegar e saímos as duas, acompanhadas pela prima Tina, na habitual ronda pelo cemitério, passando religiosamente pelas campas de todos aqueles familiares que nunca conheci. Nesse dia, o cemitério enchia-se, uma romaria de gente que só visto! E eu divertia-me, enquanto a minha avó e a sua prima visitavam as campas. Assim, uma tarde inteira, de campa em campa queimando folhas secas nas velas em taças de barro. Chegadas a casa, com frio, a minha avó assoava-me o nariz e o seu lenço ficava sempre manchado de negro. Lá vinha o raspanete habitual de "para o ano, se fores comigo não queimas mais folhas". Quando voltava a casa dos meus pais, já noitinha cerrada, ia a correr à varanda, olhar para o cemitério todo iluminado pelas velas colocadas durante o dia. Um cenário lindo, uma aura alaranjada a contrastar com o negro do céu, como se aquele fosse o momento do por-do-sol da vida.
Hoje em dia, este feriado continua a ser um dos meus favoritos. Não só pelas lembranças. Mas também porque este dia, ou esta noite, tem um encanto especial. É a noite em que as almas dos que já partiram regressam às suas casas e famílias, em busca do conforto da lareira e da comida. Marca o início do novo ano, da altura em que as plantas regressam à terra para a latência do Inverno. Esta passagem é assinalada com a mudança de cor das folhas, do verde vivo para tons terrosos como o amarelo, laranja, vermelho ou castanho. Esta é, sem dúvida, uma altura de comunhão, introspecção, aprendizagem e deleite...
Linguine al nero di sepia com camarões salteados
500g de linguine al nero di sepia
24 camarões jumbo descascados
1 cubo de caldo de marisco
3 dentes de alho
1 cebola grande
Sementes de sésamo (2brancas : 1pretas)
Sal
Azeite
Cozer a massa em água abundante e sal até estar "al dente". Colocar num passador a escorrer e passar por água fria para parar a sua cozedura. No tacho onde a massa foi cozida, dourar a cebola e alhos picadinhos com bastante azeite, o caldo de marisco e as sementes de sésamo. Adicionar os camarões, salteando apenas até que apresentem uma cor laranja e branca. Juntar a massa e envolver muito bem com o salteado de camarões.
Notas: uma refeição simples mas repleta de sabor. O linguine al nero di sepia é da Milaneza e das muitas marcas que já experimentei esta é concerteza uma das melhores dado que a massa, depois de cozida, não perde a tinta na água de cozedura, mantendo uma cor negra bastante próxima da cor apresentada quando seca.
Para entrar no modo Halloween, considerar o linguine como sendo cabelos negros povoados de vermes e piolhos (camarões e as sementes). Os miúdos vão adorar! :p