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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Guest post: Tarte de ricotta, abóbora e batata doce | Ricotta, pumpkin and sweet potato pie


(scroll down for English)

O Outono que adoro instalou-se com pompa e circunstância, inclusive nas receitas dos nossos convidados. O guest post de hoje chega-nos pelas mãos talentosas da Teresa, com o carimbo do seu Lume Brando, blogue que sigo faz tempo e que me sugeria que a sua mentora fosse uma pessoa tão delicada e especial como os lindos bolos que partilha connosco. E não me enganei. A Teresa, para além de delicada e especial, é simpatica, divertida e uma excelente conversadora. E quando duas matracas se juntam, já sabem, a conversa dá pano para mangas!

***

Uma tarte com sabores mediterrânicos de Outono, feita com carinho a pensar na Ondina e no seu Coentros&Rabanetes.

Se há uns anos me tivessem dito que um dia iria conhecer pessoalmente muitos dos autores dos blogs de cozinha que vou acompanhando, teria respondido que isso era altamente improvável: por ser céptica em relação a amizades iniciadas através de um computador, por ser tímida, por ser insegura, por nunca ter imaginado que em showcookings ou workshops o meu papel pudesse ser outro que não o de participante, por não levar o blog demasiado a sério.
Mas a vida tem essa coisa chamada surpresa. 
E nos últimos tempos, fruto de boas surpresas, tenho vindo a mudar a minha opinião acerca de conhecer pessoalmente quem está por detrás dos blogs que sigo ou dos comentários que me deixam.
A Ondina (ou direi antes, a Joana) foi uma das food bloggers que conheci recentemente, e com quem desde o início criei uma enorme empatia. Somos ambas doidas por loiça e props (na verdade, é uma característica comum a todos os que têm um blog de cozinha e gostam de investir um pouco na componente fotográfica), por revistas e livros de culinária, e acho que podíamos ficar horas no chat a trocar moradas e indicações para lojas, antiquários e feiras de velharias, links para livros e gadgets de cozinha. Mas como não queremos e não podemos cometer loucuras, temo-nos controlado, não é Ondina?
Fiquei por isso muito contente quando recebi o seu convite para um guest post no Coentros&Rabanetes, inspirado na cozinha mediterrânica. Se fazer um guest post era uma honra, fazê-lo sob inspiração mediterrânica seria um prazer. 
E foi assim que surgiu esta tarte de ricotta, abóbora e batata doce, enriquecida com espinafres, que levou ainda rúcula e parmesão no momento de servir. Feita com algumas das compras que fiz no Mercado de Sabores do Continente / Porto.Come (evento onde pude conversar mais um bocadinho com a Ondina, ou melhor, a Joana), como a abóbora e a tarteira quadrada, que mal avistei na banca da César Castro soube que tinha de trazê-la comigo!

Voltando ao início do post, e depois de ter conhecido tanta gente fantástica e inspiradora ligada a este submundo dos blogs de cozinha, de que a Joana (a esta hora já perceberam que Ondina é um nickname) é um exemplo perfeito, vem-me à memória a famosa frase de Julia Child: "the people who love to eat, are always the best people". E quem sou eu para discordar da senhora dona Julia.


Tarte de ricotta, abóbora e batata doce
(inspirada numa lasanha de Lorraine Pascale)

Para a massa
250g de farinha sem fermento

125g de manteiga ou margarina fria

2 ovos pequenos
1 pitada de sal fino

Para o recheio
250g de queijo ricotta
1/2 embalagem de queijo tipo Philadelphia
2 ovos
1 mão cheia de folhas de espinafres frescos
250g de batata doce cozida e descascada
300g de abóbora bolina limpa e descascada
1 cebola grande (usei roxa)
3 dentes de alho
Pimenta preta acabada de moer
Mistura de Sal c/ Ervas do Mediterrâneo (usei da Margão)
1/4 de copo de vinho branco
Azeite
Pão ralado (opcional)
Rúcula
Nozes
Parmesão ralado na hora


Lave bem as batatas doces e coza-as em água com sal durante cerca de 30 minutos (o tempo vai depender do tamanho das batatas).
Prepare a massa: numa taça coloque a farinha, o sal, a manteiga fria cortada em cubos e os ovos.
Amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa uniforme e macia. Se achar que está a colar, junte um pouco mais de farinha. Reserve, embrulhada em película aderente, se possível no frigorífico.
Numa sertã, leve ao lume num fundo de azeite a cebola e os alhos picados. Deixe alourar bem e junte a abóbora cortada em pequenos pedaços. Deixe cozinhar e quando a batata doce tiver cozida e descascada (deixe arrefecer antes de fazê-lo!), junte-a à abóbora. Deixe cozinhar um pouco e refresque com o vinho branco.
Tempere com a mistura de sal e ervas do Mediterrâneo, pimenta preta acabada de moer e mais sal se achar necessário. Deixe cozinhar em lume brando até os ingredientes estarem bem macios. Rectifique os temperos e retire do lume. Com um espremedor manual de batatas, amasse até obter um puré grosseiro e deixe arrefecer.
Entretanto forre uma tarteira com a massa (vai sobrar massa que poderá usar para outras receitas, inclusivamente doces), pique-a e leve-a ao frigorífico cerca de 30 mins.
Prepare o recheio, misturando os queijos com os ovos. Reserve.
Pré-aqueça o forno nos 180º C.
Encha a tarteira com feijões ou pesos próprios para cozedura e leve ao forno cerca de 10-15 mins para uma pré-cozedura.
Retire e recheie: a primeira camada será de puré de abóbora e batata doce, a segunda de espinafres e algumas nozes, a terceira da mistura de queijos e ovo. Termine com pão ralado e leve ao forno cerca de 35 mins ou até estar bem dourada.
Antes de servir, espalhe pelo topo algumas folhas de rúcula, nozes e lascas de parmesão.

Nota: se tiver tempo, pode assar a abóbora e a batata doce e fazer o puré do recheio com estes legumes assados.


The Autumn I love finally settled in with pomp and circumstance, including on our guests’ recipes. Today’s guest post comes from Teresa’s talented hands, with the stamp of her Lume Brando, blog that I religiously follow and that always made me think of its mentor as someone so delicate and special as the cakes she shares with us. And I was right. Teresa is not only delicate and special, she’s also nice, funny and a great chatter. And when two talkative girls get together, you can only imagine!

***

A pie with Autumn Mediterranean flavors, made with affection while thinking of Ondina and her Coentros&Rabanetes.

If, some years ago, someone told me that one day I would meet many food bloggers that I follow, I would reply it would be highly unlikely: because I’m skeptical about virtual friendships, because I’m shy, insecure, because I had never thought that in show-cookings or workshops my part could be other than the one of attendant, because I don’t take the blog too seriously.
But life has this thing called surprise.
And, lately, the good surprises have been changing my opinion about meeting the people behind the blogs and comments they leave on my blog.
Ondina, or should I say Joana, is one of the food bloggers that I recently met and we had this bond from the beginning. We’re both crazy about tableware and props (actually this is kind of a common things amongst food bloggers that enjoy photography), about magazines and cookbooks and I think we could stay chatting for hours while exchanging addresses and infos for shops, antiques, markets, book links, and gadgets. But because we don’t want nor can go pauper and bonkers about it, we have been controlling ourselves, right Ondina?
I was truly happy when I got the invitation for a guest post at Coentros&Rabanetes, inspired by Mediterranean cuisine. If doing a guest post already was an honor, doing it under such Mediterranean inspiration would be a real pleasure.
And that’s how this pie, with ricotta, pumpkin, sweet potato and spinach, sprinkled with parmesan and arugula, was born. Some ingredients came from my shopping at Mercado de Sabores do Continente / Porto.come (an event where I got to chat a bit more with Ondina, or better saying, Joana), like the pumpkin and the square pie dish that, as soon as I lay my eyes on it, at César Castro’s stall, I knew I had to buy it!

Going back to the start of this post, and after having met so many great and inspiring people of the food bloggers “underworld”, from which Joana (that by now you already guessed that Ondina is just a nickname) is a perfect example, it comes to my mind the famous sentence by Julia Child: “the people who love to eat, are always the best people". And who am I to disagree with Mrs Child.


Ricotta, pumpkin and sweet potato pie
(inspired by a Lorraine Pascale’s lasagna)

For the dough
250g all purpose flour

125g cold butter

2 small eggs
1 pinch of salt

For the filling
250g ricotta cheese
1/2 package of Philadelphia-type cheese
2 eggs
1 handful of fresh spinach leaves
250g boiled and peeled sweet potato
300g deseeded and peeled pumpkin
1 large onion (used a purple)
3 garlic cloves
Freshly ground pepper
Mix of salt and Mediterranean herbs (used from Margão)
1/4 glass white wine
EVOO
Breadcrumbs (optional)
Arugula
Nuts
Freshly grated parmesan


Wash thoroughly the potatoes and boil them in water with salt for about 30 mins (the time will depend on the potatoes size).
Prepare de dough: in a bowl place the flour, salt, butter in cubes and the eggs.
Work with the tips of your fingers until you have a soft and uniform dough. If the dough is sticky, add a bit more flour. Keep, in the fridge, wrapped in cling film.
In a frying pan, heat the onion and garlic in evoo until golden. Add the pumpkin sliced in small cubes and cook. When the potatoes are cooked and peeled (leave to cool down before peeling!), add them to the pumpkin. Cook for a bit more and add the wine.
Season with the mix of salt and herbs, with pepper and, if necessary, a bit more salt. Cook in a low-medium heat until all ingredients are soft. Check the seasoning and remove from the stove. Mash until you have a rough puree and leave to cool down.
Meanwhile, line the pie dish with the dough (you can use the leftovers for other pies, savory or sweet), prick with a fork and leave in the fridge for 30mins.
Prepare the filling by mixing the cheeses with the eggs. Keep aside.
Pre-heat the oven at 180º C.
Cover the pie dough with beans or proper weights for baking and put in the oven for about 10-15mins for pre-cooking.
Remove and fill: the first layer is the potato and pumpkin puree, the second is spinach and some nuts and the third is the egg and cheese mix. Top with breadcrumbs and return to the oven for 35mins, or until golden.
Before serving, sprinkle with arugula, nuts and parmesan shreds.

Note: if you have time, roast and the pumpkin and the potatoes for the puree.


Obrigada Teresa, pela receita inspiradora e pelas fotos lindas! Thank you so much Teresa, for the inspiring recipe and beautiful photos!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Orecchiette com atum | Orecchiette with tuna


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Uma daquelas comidas de sempre. De todo o ano. A receita base é da minha mãe e fui alterando-a à medida do gosto cá de casa. Perfeita para aqueles dias em que estou cansada e não sei o que fazer para o jantar, ou quando é preciso fazer comida para um regimento, ou quando simplesmente apetece retornar aos sabores de todos os dias.


Orecchiette com atum

Azeite
1 cebola, picada
2 dentes de alho, picado
1 talo de aipo, picado
1 pimento verde, em quadradinhos
1 lata grande de tomate pelado
500g de polpa de tomate
1 cálice de vinho maduro branco
Sal e pimenta preta
4 latas de atum ao natural, escorrido
4 c.sopa de azeitonas pretas, descaroçadas e fatiadas
4 c.sopa de oregãos secos
500g de orecchiette
Queijo da ilha ralado (opcional)

Num tacho grande, alourar a cebola e o alho com o azeite. Adicionar aipo e o pimento e deixar amolecer. Esmagar os tomates com a mão e juntar ao tacho, com todos os sucos, seguido pela polpa de tomate. Colocar o vinho dentro do frasco da polpa e abanar bem para diluir. Deitar no tacho, mexer, e temperar com sal e pimenta. Deixar fervilhar durante 10 mins. 
Entretanto, cozer a massa em água abundante temperada com sal, até estar quase al dente. Enquanto a massa coze, adicionar as azeitonas e o atum ao molho de tomate, misturando bem. Antes de incorporar a massa, misturar muito bem os oregãos no molho e ajustando os temperos.
Escorrer a massa, e adicionar o molho, misturando bem. Aguardar 5 mins, fora do lume, para que todos os sabores fiquem bem incorporados. Servir polvilhado com queijo da ilha.

Nota: a nossa preferida é a orecchiette mas também resulta lindamente com conglichione ou fusilli tricolor, com radiatori, etc...


One of those everyday foods. All year-round. The basic recipe comes from my mother and I have changed it to our liking. Perfect for when I'm tired and have no idea what to cook for dinner, or for when there's the need to feed a regiment, or simply when we feel like going back to the everyday flavors.


Orecchiette with tuna

Evoo
1 onion, chopped
2 garlic cloves, minced
1 celery stalk, chopped
1 green pepper, chopped
1 peeled tomato, large can
500g tomato puree
1 small glass white wine
Salt and black pepper
4 cans natural tuna, drained
4 tbsp black olives, pitted and sliced
4 tbsp dried oregano
500g orecchiette
Azorean island cheese, grated (optional)

In a large saucepan, sautee de onion and garlic with the evoo. Add the celery and green pepper and leave to soften. Crush the tomatoes with your hands and put then in the pan with all the juices and the tomato puree. Pour the wine in the puree bottle, give it a shake and pour into de pan. Mix, season with salt and pepper and leave simmering for 10mins.
Meanwhile, boil the pasta in abundant water with salt until almost al dente. While the pasta cooks, add the olives and tuna to the tomato sauce, mixing well. Right before incorporating the pasta, sprinkle with the oregano and adjust the seasoning. Add the drained pasta and mix well. Reserve for 5 mins, out of the heat, so the flavors come together. Serve sprinkled with the cheese.

Note: our favorite pasta for this recipe is the orecchiette it will work just as well with tricolor conglichione or fusilli, with radiatori, etc...


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Spicy sausage rice para festejar

(scroll down for English)

Um ano após criarmos a página do Facebook ultrapassamos a barreira dos 1000 "likes"! Uma verdadeira surpresa! Nós, que somos apenas uns curiosos, que criamos o blogue e a página do Facebook por puro divertimento, temos mais de 1000 pessoas que gostam daquilo que fazemos de forma amadora. É bom ver que os nossos interesses estão alinhados com os interesses de tantas outras pessoas, a maioria das quais não conhecemos nem sequer de forma virtual... E é simplesmente maravilhoso e arrebatador pensar que uma dessas pessoas se possa sentir inspirada por nós num dado momento da sua vida (nem que seja durante a crise existencial de o-que-fazer-para-o-jantar) enquanto passeia os olhos pelo "Coentros". Por isso hoje é dia de festejar! E nada melhor do que muita cor, sabor e animação para vos agradecer por estarem do outro lado do ecrã e por fazerem chegar até nós um feedback muito positivo :)
Spicy sausage rice
(adaptado de Gordon Ramsay's Ultimate Cookery Course)

Azeite
1 chalota, picada
1 pimento vermelho, picado
2 dentes de alho, picados
10 salsichas frescas picantes, sem pele
1 c.chá de pimentão doce
250g de arroz vaporizado
1/2 copo de vinho branco
600ml de caldo de galinha
4 cebolinhas
2 tomates, em cubos
1 punhado de salsa, picada
Sal marinho Marnoto e pimenta moída na hora

Numa caçarola, alourar a cebola com o azeite durante cerca de 5mins. Adicionar o pimento e o alho e cozinhar por mais 2mins. Esfarelar a carne das salsichas para a caçarola e cozinhar em lume médio durante 5mins, até terem ganho cor. Juntar o pimentão e temperar com sal e pimenta. Deitar o arroz e mexer bem para que absorva os sabores. Regar com o vinho, mexendo para descolar qualquer pedacinho que tenha ficado agarrado ao fundo da caçarola. Juntar o caldo, deixar fervilhar e cozinhar por mais 15 a 20 mins, até o arroz estar tenro e o líquido absorvido. Retirar do lume, envolver as cebolinhas, o tomate e a salsa e servir.
A year after opening the Facebook page we managed to exceed the magical number of 1000 likes. What a surprise!!! We, who are just curious about cooking, that created the blog and Facebook page just for fun, we have more that 1000 people who actually like what we do as amateurs. It's great to see that our interests are somewhat aligned with the interests of so many others, most of which we do not know, not even in a virtual manner... And it is wonderfully overwhelming to think that one of those persons might be inspired by us at a certain point of the day (even if it's just during the daily crisis of what-to-cook-for-dinner) while scanning the blog. So today we celebrate! And there's nothing better than colour, flavour and liveliness as a way to thank all of you for being on the other side of the screen and for leaving us such a positive feed-back :)
Spicy sausage rice
(adapted from Gordon Ramsay's Ultimate Cookery Course)

Olive oil
1 red onion, chopped
1 red pepper, chopped
2 garlic cloves, chopped
10 spiced fresh sausages, skinned
1 tsp paprika
250g rice
1/2 glass white wine
600ml chicken stock
4 spring onions
2 tomatos, chopped
1 bunch parsley, chopped
Marnoto sea salt and freshly ground pepper

In a casserole fry the onion with the olive oil for 5mins until soft. Add the pepper and garlic and cook for 2mins. Crumble the sausages meat into the pan and cook over a medium heat for 5mins, until coloured. Add the paprika, season to taste and mix. Add the rice and stir well to absorb the flavour. Deglaze the pan by pouring in the wine and scraping the bits stuck to the bottom. Add the stock and bring to a simmer, Cook gently for 15-20 mins until the rice is tender and the liquid almost entirely absorbed. Remove from the heat and gently fold in the spring onions, tomato and parsley before serving.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Lulas recheadas da Mãmi

Ano novo, rubrica nova. Para além das nossas receitas, 2013 vai trazer-nos receitas de família e amigos. Sim, porque vivemos rodeados por pessoas com um talento imenso para a culinária e é prazer convidá-los a partilhar as suas especialidades através do nosso blogue. Como não poderia deixar de ser, a estreia é com uma receita da minha Mãmi, que cozinhou um dos nossos favoritos.
Lulas recheadas

4 lulas frescas grandes (cerca de 1,2 kg) com as perninhas picadas
2 dentes de alho, picados
Presunto, cortado em pedacinhos
Miolo de pão escuro
Sumo de limão
Vinho branco
Azeite
Sal e pimenta

Refogar a perninhas das lulas em alho e azeite num tacho grande. Juntar o presunto, temperar com pimenta e deixar apurar. Molhar o miolo de pão em água, escorrer bem e juntar à mistura das perninhas de lula, mexendo bem até ter uma pasta homogénea. Rechear as lulas com a mistura e fechá-las com um ou dois palitos. Colocar as lulas recheadas de volta ao tacho da mistura onde já está o segundo alho refogado em azeite, juntar vinho branco e deixar cozinhar durante cerca de 30 mins ou até as lulas estarem tenras. Entretanto, regar com sumo de limão e temperar com sal e pimenta. Servir polvilhadas com coentros secos picados e acompanhadas por arroz branco e pão (que fica divinal molhado no molho das lulas!). 
New year, new rubric. Apart from our recipes, 2013 will also bring recipes from our family and friends. Simply because we are surrounded by talented people and it's a pleasure to invite them to share their specialties in our blog. The first person invited was my Mom who gave us the honour of cooking one of our all time favorite meals.

Stuffed squid

4 large fresh squids (around 1,2 kg) with minced legs
2 garlic cloves, finelly chopped
Ham, finelly chopped
Breadcrumbs from a dark bread
Lemon juice
White wine
Olive Oil
Salt and peper

In a large saucepan, braise the squid legs in garlic and olive oil. Add the ham, season with peper cook until tender. Soften the breadcrumbs in water, drain well and add to the squid legs, mixing well to a smooth paste. Stuff the squids with this mix and close them with one or two toothpicks. Put the squid back in the large saucepan where the second garlic clove is already golden in olive oil. Pour in white wine and leave to cook for 30 mins or until the squid are tender. Meanwhile, drizzle lemon juice over the squid and season with salta and peper. Serve the squid topped with dry coriander leaves and sided with white rice and bread (lots of good bread to dip in the sauce!).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Linguine al nero di sepia com lulas salteadas

Das coisas boas e simples da vida. Ingredientes frescos e saborosos como estrela da refeição. Merecem-no. Por mérito próprio. E assim, sem grandes complicações, se faz um jantar que satisfaz e delicia até os palatos mais exigentes. Talvez fosse da fome, ou da frescura, ou até do sabor a mar, mas esta simplicidade pareceu-nos perfeita. 
Linguine al nero di sepia com lulas salteadas

500g de linguine al nero di sepia
1kg de lulas frescas, limpas, cortadas em rodelas
Azeite
Sal e piri-piri
2 dentes de alho, grandes, esmagados
80ml de vinho branco
1/2 limão (sumo)
1 c. chá de amido de milho

Num tacho de grandes dimensões, alourar os alhos com o azeite. Introduzir as lulas, deixando corar durante alguns minutos. Juntar o vinho branco, sal e piri-piri e deixar cozinhar durante cerca de 30 mins. Findo este tempo, provar uma lula. Caso ainda não estejam tenras, cozinhar mais 10 mins. Entretanto, cozer a massa em água abundante com sal. Escorrer, passar por água fria para parar a cozedura e reservar. Misturar o amido de milho com o sumo de limão e adicionar às lulas, para engrossar o molho. Depois de levantar fervura, incorporar a massa, misturando bem. Servir acompanhado de um bom vinho maduro tinto.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Um jantar frugal para uma rainha enclausurada

Corria o ano de 1587 e ao sétimo dia do mês de Fevereiro fui chamada para preparar uma ultima ceia. A prisioneira era alguém bastante especial: Mary, Queen of Scots. Tremi, sem saber se a causa era o frio de um Inverno rigoroso ou o peso da responsabilidade, pois tamanha era a honra de cozinhar a ultima refeição da monarca mais fascinante e controversa deste século XVI. Aquela que outrora reclamou para si as coroas de 4 países (Escócia, França, Inglaterra e Irlanda) foi informada da sua execução, na manhã seguinte, ao mesmo tempo que eu era informada da minha nobre missão. Para dar início aos preparativos foi-me concedida uma visita de breves minutos nos aposentos da prisioneira. Numa cela simples, uma mulher calma e bonita, de porte altivo e orgulhoso, dirigiu-se-me num sotaque escocês cerrado:
"Como te chamas?" - "Joan, sua senhoria"
"Muito bem, Joan. Sei que vais cozinhar a minha refeição de hoje." - "Sim, minha senhora. Gostaria de saber o que desejais, foi-me ordenado que atendesse qualquer desejo vosso"
"Ah Joan... A simplicidade foi algo que aprendi a apreciar com o tempo. E com ela, se puderes, traz de volta a minha adorada Escócia".
Assim tentei. Um jantar simples, frugal, para que Mary terminasse afazeres de última hora sem sonolência induzida. O pão foi elaborado com uma cerveja forte e encorpada. A sopa, verde, como que a lembrar as paisagens escocesas...
Sopa de espinafres, ervilhas e lentilhas verdes
(inspirado em The Gourmet Kitchen)

Azeite
1 alho francês
1 cubo de caldo de legumes
1 courgette em pedaços
150ml de vinho branco
800ml de água a ferver
200g de lentilhas lavadas e escorridas
600g de ervilhas enlatadas
200g de espinafres
2 iogurtes naturais
Sal e pimenta

Refogar o alho francês no azeite juntamente com o caldo de legumes. Adicionar a courgette e deixar amolecer. Regar com o vinho e a água e juntar as lentilhas. Deixar ferver, reduzir um pouco o lume e cozinhar durante 20 mins. Juntar as ervilhas e cobrir com os espinafres. Deixar cozinhar por 10 mins. Passar a sopa, juntar os iogurtes e misturar bem. Rectificar os temperos (sal e pimenta) e, se necessário, adicionar mais um pouco de água a ferver para obter a consistência desejada.
Pão integral de soja e espelta com cerveja preta e sementes
(inspirado em Velocidade Colher, de Susana Gomes)

300g de cerveja preta
50g de azeite
1 c. chá de sal
2 c. sopa de mel
200g de farinha T65
200g de farinha integral de espelta
100g de farinha integral de soja
30g de sementes de sésamo
30g de sementes de linhaça
1+1/4 c. chá de fermento bio seco

Colocar os ingredientes na cuba da MFP pela ordem indicada pelo fabricante. Escolher o programa para pão integral com peso de 750g e tostagem ligeira. No final do programa, desenformar o pão e deixar arrefecer sobre uma rede.
Servir o pão e a sopa acompanhados por um fumegante chá rooibos aromatizado com laranja. Como sobremesa, um maduríssimo dióspiro e uma maçã de Armamar.
Com este jantar participamos na 8ª edição do Convidei para Jantar, criado pela Ana, e que este mês foi aristocraticamente acolhido pela maravilhosa Alice na sua cozinha.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Massa de bacon e cogumelos


O tempo urge. Não houve tempo para grandes compras. Abre o frigorífico. Espreita nos armários. Pára no meio da cozinha sem saber o que fazer. E a fome também não é muita. Mas há outras bocas para alimentar. Já se sentiram assim? Quando as duas pessoas da casa não sabem o que cozinhar? Quando não há cartas na manga nem coelhos na cartola (se os houvesse, estufavam-se) e se olha para os ingredientes e não há uma sinapse caridosa que dê solução ao assunto? Pois. Por vezes há dias assim, em que nem as fotos saem bem...


Massa de bacon e cogumelos

500g de massa penne
1 alho-francês grande
1/2 pimento vermelho
300g de cogumelos frescos
150g de bacon
3 tomates pequenos
Polpa de tomate qb
1 copo de vinho branco
1 iogurte natural
1 punhado de manjericão fresco
Sal, pimenta, parmesão 

Numa frigideira de grandes dimensões colocar o bacon a torrar na própria gordura. Retirar os pedaços para uma folha de papel de cozinha e reservar. Na gordura do bacon refogar o alho francês em rodelas e o pimento em cubinhos. Acrescentar os tomates em pequenos pedaços, a polpa de tomate e os cogumelos fatiados e deixar cozinhar até começarem a reduzir. Acrescentar o vinho e cozinhar por 5 mins. Desligar o lume, adicionar o iogurte e o manjericão picado. Envolver na massa que foi previamente cozida em água abundante e sal e servir polvilhado com parmesão.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Risotto de Abóbora


O fim de semana foi preguiçoso. Deleitar os olhos pelas cores da Primavera que, apesar de um céu mais cinzento, encantaram tudo e todos. Passear, comprar, saborear, apreciar, descansar. Verbos que convidam ao prazer que é passar tempo com aqueles de quem mais gostamos. E porque não trazer um pouco de toda essa cor para o nosso prato? E tornar o passear, comprar saborear, apreciar e descansar ainda mais prazenteiros! 


Chefes, à faca....

300g risotto arborio
1 alho francês
1/4 pimento vermelho
1 cenoura
100g rúcula
300g abóbora
150ml vinho branco
Azeite
Sal
Pimenta
1 raminho de rosmaninho
1 folha de louro 
75g manteiga
100g parmesão


Deixar a abóbora em pedaços a cozer (o caldo).
Numa frigideira de grandes dimensões, ou wok, dourar o alho-francês. De seguida, colocar os legumes acima descritos, ou outros da sua preferência, por ordem de dureza juntamente com a abóbora, louro, rosmaninho e mexer bem. Juntar 150ml de vinho branco e deixar evaporar. Juntar, lentamente, a água em que foi fervida a abóbora até o risotto estar pronto, mexendo sempre. A cor do risotto deverá ser cristalina. Adicionar a manteiga e o parmesão até o risotto apresentar uma consistência cremosa.
Empratar. Bom trabalho Chefe e bom apetite!


Receita por VelSatiS

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Risotto de "camarão" com filete de pescada

À terça-feira é dia de peixe. E perguntam vocês: porquê? É simples! Para facilitar a nossa própria vida, estabelecemos uma espécie de horário para as refeições: três dias por semana o jantar é vegetariano (ou pelo menos não inclui nem carne nem peixe), dois dias por semana o jantar é peixe e nos restantes dois é carne (um para carne branca e outro para vermelha). Dependendo do dia da semana, já temos o fio condutor da nossa refeição, o que é sempre uma grande ajuda. Optamos também por um número razoável de refeições veggie pois, para além de ser bastante saudável, contribui grandemente para equilíbrio do orçamento. Uma outra forma de conseguir controlar os efeitos da crise é, em alguns pratos, substituir ingredientes dispendiosos por outros mais em conta. Exemplo disso é este risotto: poderia ter sido feito com camarão e ficaria delicioso mas podemos confirmar que com delícias do mar (que hoje em dia já são utilizadas pelos Chefs) também não ficou nada mal :)


Chefes, à faca....

300g risotto arborio
1 alho francês
100g delicias do mar
1 colher de sopa de polpa de tomate
1 caldo de camarão
100ml vinho branco
Azeite 
Sal 
Pimenta
1 ramo de rosmaninho
50g manteiga
100g parmesão
2 filetes de pescada
menta fresca q.b.
Azeite
Sumo de 1 lima


Numa frigideira de grandes dimensões colocar o alho francês em rodelas a refogar em azeite. De seguida juntar o rosmaninho, o arroz e o vinho branco até este evaporar. Adicionar um pouco de água, as delicias do mar em pedaços, a polpa de tomate e o caldo. Mexer até a água evaporar em lume brando e repetir o processo até o arroz estar correctamente cozido. Rever os temperos, se necessário, e juntar a manteiga e o parmesão.
Os filetes são temperados com menta, sal, e pimenta para serem grelhados numa frigideira com um pouco de manteiga e regados por fim com o sumo da lima.
Bom trabalho Chefe e bom apetite!



Receita por VelSatiS


English:

Tuesdays is day for fish. "Why?" may you ask. It's really simple. To make things easy we have established some kind of "meals schedule": 3 days/week we have vegetarian dinner (at least there's no meat nor fish included), 2 days is fish and the other 2 days is meat (one for poultry, or white meat, and the other for red meat). Depending on the day of the week the person cooking dinner already has a guideline, which can be a great help! We've decided for a reasonable number of veggie meals because it's healthier and because it good for the budget. Another way to balance the bills is to substitute, in some meals, expensive ingredients for less expensive ones. Today's risotto is a good example of that: it was made with crab sticks (some Chef's are already starting to use it) instead of using prawns and we can guarantee is very tasty :)

"Prawn" risotto with hake fillets

300g arborio rice
1 leek
100g crab sticks
1 tbsp tomato puree
1 prawn stock (cube)
100ml white wine
Olive oil
Salt and pepper
1 rosemary stick
50g butter
100g parmesan
2 hake fillets
1 lime juice
Mint leaves

In a large saucepan braise the leek with olive oil. Add the rosemary, the rice and the white wine and mix until the liquid evaporates. Add some water, the crab sticks, the puree and the stock. Mix again until the liquid evaporates. Add more water and repeat this process until the rice is cooked. Seaso, add the butter and the cheese.
Grill the hake fillets, seasoned with mint, salt and pepper, in a bit of olive oil. Drizzle with lime juice.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Feijoada gourmet


Uma feijoada gourmet? E porque não? Quantos não adoram uma bela feijoada, quantos já se esqueceram do quão bom uma feijoada é, quantos nunca provaram uma feijoada? É verdade, este é um prato típico de tanta cozinha por esse mundo fora (sim porque ao contrário do que muitos pensam não é um prato unicamente português, a cozinha grega, italiana, francesa e espanhola possuem todas elas um prato tradicional muito similar ao nosso). Um prato "do pobre", dos tempos em que não tínhamos "a mania que somos ricos". Um prato "para aquecer", dos tempos em que não existiam coisas como aquecimento central e ar condicionado. Um prato "da avó", daqueles que trazem memórias à mesa, enfim, é como aquela fotografia muito antiga de quando éramos pequeninos e que adoramos ver mas que no entanto está algures no fundo de uma arca antiga...esquecida.
Tempo de tirar o pó à fotografia, tempo de reviver, tempo de colocar a foto numa moldura bem no centro da sala onde ela merece estar.


Chefes, à faca....

500g de arroz vaporizado
800g  de feijão branco
2 cebolas
2 dentes de alho
1 cenoura
1 couve coração
1 courgette
1 tomate (grandes dimensões)
Polpa de tomate
Vinho branco
Salsichas e linguiças frescas (do Leandro, no Bolhão)
Sal, pimenta e cominhos


Refogar a cebola juntamente com as salsichas e linguiças em pedaços, para aproveitar a gordura dos enchidos. Adicionar a cenoura e courgette em rodelas, a couve em juliana, o tomate em cubinhos, um pouco de água e deixar reduzir de volume. Juntar a polpa de tomate, meio copo de vinho branco, sal, pimenta e cominhos, deixando cozinhar destapado em lume brando. Quando a cenoura estiver quase cozinhada, adicionar os feijões e rectificar os temperos. Entretanto, preparar o arroz refogando uma cebola e 2 dentes de alho em azeite. Juntar o arroz, mexendo até estar translúcido. Nesta altura, adicionar 2 medidas (do arroz) de água a ferver, bem como o sal, mexendo um pouco. Deixar cozinhar até a água ter evaporado e o arroz estar soltinho. Servir a feijoada com o arroz. Para nós, a melhor maneira de a degustar é misturando o arroz com o feijão :)


As quantidades  preparadas serviram 6 porções. Receita por Ondina Maria e VelSatiS, texto por VelSatiS


English:

Why can't a casserole be a gourmet dish? How many of us love a good casserole, how many have forgotten it's great taste, how many never tried this dish? Casseroles are regional dishes from many countries (Portugal, Greece, Italy, France, Spain) and where considered a poor meal, back in the days when living conditions where harder than nowadays, when there was no central heating or air-conditioning. A grandma style meal that, like an old photo, lies forgotten in some old and dusty trunk. It is time to find the photo, time for revival, time to place it in a nice and modern frame right in the middle of the living room: the spot where it belongs.

Gourmet Casserole

500g vaporized rice
800g white beans (boiled)
2 onions
2 garlic cloves
1 carrot
1 cabbage
1 courgette
1 large tomato
Tomato puree
White wine
Sausages (bought at Leandro Butcher, in Bolhão)
Salt, pepper, cumin

In a large pan, fry the onion with the sausages, to use their fat, until golden and transparent. Add the carrot, courgette, cabbage and tomato finely chopped, together with a bit of water and leave to reduce the veggies volume. Add the tomato purre, half-glass of wine, seasonings and leave to boil with the lid. When the carrot is nearly cooked, add the bean and check the seasoning. Meanwhile prepare the rice by frying the other onion and the garlic with olive oil until golden. Add the rice and stir until translucent. Add boiling water (to measures of rice), salt and stir to avoid sticking rice. Leave it simmering until the water evaporates and the rice is cooked. The best way to eat, is mixing the rice with the beans, though it doesn't look very good, it tastes fab!